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Jaques Rosenzvaig

Resposta à tréplica: Custo de operações de caixa eletrônico no Brasil tem custo diferente do resto do mundo

Perfil das transações no Brasil é diferente do resto do mundo

O levantamento dos custos de operação dos caixas eletrônicos no Brasil e, consequentemente, a definição dos valores que devem ser pagos pelos emissores por transação às redes de autoatendimento é a maior dificuldade do setor e o principal ponto de desequilíbrio em vários países do modelo de interoperabilidade sugerido pelo Banco Mundial.

Em primeiro lugar, no caso do Brasil, está a questão escala, pois será difícil para uma rede nova demandar uma taxa compatível com seus custos quando comparado a qualquer uma das cinco maiores redes do mundo, que já operam no Brasil, e que tem economias de escala expressivas.

Em segundo lugar, o perfil das transações no Brasil é diferente do resto do mundo. A diversidade de transações que as redes oferecem aumenta a dificuldade em separar o custo com saque das demais transações.

O custo de cada tipo de transação pode variar em cada uma das redes, conforme o mix dos produtos e serviços ofertados. O desafio é entender como lidar com o desequilíbrio quando o volume de saques subir e os custos aumentarem. E mais difícil ainda será manter atualizado o preço por transação com a variação do mix.

Cartões de crédito
Cartão de crédito - Adriana Toffetti/A7 Press

Os argumentos usados na tréplica fazem parecer simples uma questão extremamente complexa e que está sendo amplamente debatida, neste exato momento, na Europa. A taxa que os emissores pagam foi levada a um nível tão baixo que as redes de ATM tem que cobrar dos clientes finais para poderem sobreviver. No Reino Unido, a população nunca pagou tanto para ter acesso ao próprio dinheiro: a tarifa é tabelada em duas libras ou cerca de 11 reais.

Segundo reportagem do Financial Times, publicada no último dia 7 de fevereiro, os britânicos desembolsaram 104 milhões de euros (R$ 113,2 milhões) no último ano, apenas com tarifas de saque. Já a reportagem publicada pelo portal YourMoney.com destaca que mais de 8,7 mil caixas eletrônicos gratuitos foram eliminados no último ano, em todo o Reino Unido.

Diversas previsões de velocidade da digitalização da economia e premissas da redução do uso do dinheiro pela população levaram ao desincentivo da manutenção da rede de caixas eletrônicos nesse país, com consequências para a população.

O desenvolvimento de um ecossistema de instituições digitais é muito saudável e nós, na TecBan, estamos apoiando esse crescimento na prática. O HubDigital, plataforma criada para conectar fintechs ao Banco24Horas, alcançou a adesão de 10 instituições em janeiro. Fintechs de todos os portes no agora conseguem oferecer aos seus clientes os 23 mil Banco24Horas distribuídos pelo Brasil, com adesão simplificada e direta.



Aliado a esses avanços de fomentar novas instituições, acreditamos ser necessário e possível avançar também no atendimento da população que procura no dinheiro sua forma confiável, segura e acessível de fazer suas compras e transações financeiras como pagamento de contas e outras atividades do dia a dia.

É necessário e possível fomentar um novo cenário para o setor financeiro e avançar nos mecanismos que servem à população que precisa ao mesmo tempo. 

No Brasil, a população tem acesso a quatro saques gratuitos por mês, além de um pacote básico de outros serviços igualmente a custo zero. Isso não precisa acabar para tornar possível o surgimento de novas instituições com foco mais digital.

Os dois modelos convivem, coexistem e colaboram. Um não limita ou acaba com o outro. Eles juntos constroem uma sociedade com uma economia mais competitiva e dinâmica que respeita às preferências e o direito de escolha das pessoas.

Apoiamos a reivindicação da população para o desenvolvimento do sistema digital e acreditamos que a coexistência dos modelos não prejudica o acesso ao dinheiro físico.

É importante lembrar que o acesso ao dinheiro não pode ser secundário ao desenvolvimento dos meios digitais, sob risco de ampliar a exclusão econômica, já vivenciada pela parte mais pobre da população

Jaques Rosenzvaig

Diretor Geral da TecBan e Membro do Conselho Global da ATMIA (Associação da Indústria Mundial de ATMs)

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