Descrição de chapéu Coronavírus

Elon Musk proíbe aplicativo Zoom para funcionários da SpaceX por segurança digital

Popular durante pandemia, app de videoconferência é alvo de investigações nos Estados Unidos

Nova York | Reuters

A empresa de foguetes de Elon Musk, SpaceX, proibiu seus funcionários de usarem o aplicativo de videoconferência Zoom, citando "importantes preocupações de privacidade e segurança", de acordo com um memorando que a agência Reuters teve acesso, dias após órgãos policiais dos Estados Unidos alertarem os usuários sobre a segurança do popular aplicativo.

O uso do Zoom e outros aplicativos de comunicação digital disparou depois que os americanos receberam ordens de ficar em casa para diminuir a propagação do coronavírus.

A proibição da SpaceX ao aplicativo Zoom é um exemplo dos crescentes desafios que a indústria aeroespacial enfrenta ao desenvolver tecnologia considerada vital para a segurança nacional, ao mesmo tempo que tenta proteger os funcionários da doença respiratória que se espalha rapidamente.

Elon Musk durnte apresentação do Model-Y, carro elétrico da Tesla, em Xangai - Ding Ting - 7.jan.2020/Xinhua

Em um email de 28 de março, a SpaceX disse aos funcionários que todo o acesso ao Zoom havia sido desativado, com efeito imediato.

"Entendemos que muitos de nós estávamos usando essa ferramenta para conferências e reuniões de suporte", afirmou a SpaceX na mensagem. "Por favor, usem e-mail, texto ou telefone como meio de comunicação alternativo."

Duas pessoas familiarizadas com o assunto confirmaram o conteúdo do e-mail.Um representante da SpaceX, que tem mais de 6.000 funcionários, não respondeu a um pedido de comentário. Seu executivo-chefe, Musk, também dirige a fabricante de carros elétricos Tesla.

A agência espacial americana, Nasa, um dos maiores clientes da SpaceX, também proíbe seus funcionários de usar o Zoom, disse Stephanie Schierholz, porta-voz do órgão.

O escritório do FBI (Agência Federal de Investigação) em Boston emitiu na segunda-feira (30) um aviso sobre o Zoom, dizendo aos usuários para não divulgarem reuniões no site ou compartilharem links amplamente, depois que recebeu dois relatos de que indivíduos não identificados invadiram sessões escolares, fenômeno conhecido como "zoombombing".

O site de notícias investigativo The Intercept divulgou na terça-feira (31) que o vídeo do Zoom não é criptografado de ponta a ponta entre os participantes de reuniões, e que a empresa pode visualizar as sessões.

"Queremos começar pedindo desculpas pela confusão que causamos ao sugerir incorretamente que as reuniões do Zoom eram capazes de usar criptografia de ponta a ponta", disse a empresa em um post no blog. "O Zoom sempre se esforçou para usar a criptografia para proteger o conteúdo no maior número possível de cenários e, nesse espírito, usamos o termo criptografia de ponta a ponta." (bit.ly/2xH3Et8)A

empresa acrescentou que criptografa todo o conteúdo das reuniões no Zoom em que todos usam o aplicativo, e que as sessões não são gravadas. Ela afirmou que não consegue criptografar o conteúdo atualmente quando os usuários se conectam usando outros dispositivos.

A Zoom não respondeu aos pedidos de comentários sobre a decisão da SpaceX.

Como empreiteira de defesa, a SpaceX, com sede na Califórnia, foi classificada como um negócio essencial, permitindo que continue aberta durante as paralisações na Califórnia e no Texas, o polo de desenvolvimento e testes do foguete Starship que poderá ser usado para chegar à Lua e Marte e enviar ao espaço satélites de segurança nacional.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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