Empresários minimizam impacto na economia de demissão de ex-juiz Moro

Para eles, ministro Guedes também não estaria correndo riscos no governo

São Paulo

Empresários dizem acreditar que a economia não será afetada pelo pedido de demissão do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça.

“Pode afetar no curtíssimo prazo com relação ao risco-país e por um ruído no mercado, que já está histérico. Mas a médio e longo prazo o que é mais importante é o capital político que [o presidente Jair] Bolsonaro está construindo”, diz o empresário Flávio Rocha, da Riachuelo.

O presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synésio Batista, também não acredita que a saída de Moro terá impacto na economia.

“Economicamente não vai ter efeito. O país está parado em razão do coronavírus. Não há o que fazer”, disse ele.

A opinião do presidente da Abrinq encontra eco em outras associações industriais. Um dos presidentes ouvidos pela reportagem, que pediu anonimato, disse que o longo prazo da cadeia industrial não se afeta com a queda da Bolsa e a alta do dólar. Segundo ele, a economia industrial não é de especulação.

A dissociação econômica, no entanto, não é unanimidade. O presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), José José Ricardo Roriz Coelho, reclamou da falta de foco do governo.

“Ele desviou a atenção para onde tem um problema que não existe, que é a área da Justiça e da segurança pública. O foco deveria ser combater a pandemia com o menor risco econômico possível.”

Para Roriz, as ações do presidente com seus ministros são inadequadas.

“Os dois grandes esteios do governo Bolsonaro no início foram Paulo Guedes (Economia) e Moro. Depois da pandemia, surgiu o [ex-ministro da Saúde Henrique] Mandetta. E, justamente com os três ministros que têm a maior popularidade porque estavam fazendo bom trabalho, o presidente faz esse tipo de ação inadequada e fora de hora”, afirmou Roriz.

Rocha, da Riachuelo, também lamentou a saída do ex-juiz. O ministro Moro era um ícone de uma faceta importante do projeto Bolsonaro do combate à corrupção. Ele fez uma faxina ética nas estatais e no governo. Isso é um fato.”

Segundo ele, a etapa seguinte será protagonizada pelo ministro da Economia.

“O desgosto do Guedes é com essa coisa de Plano Marshall”, diz ele em referência ao plano de retomada da economia chamado de Pró-Brasil.

O plano foi apresentado na quarta-feira (22) pelo ministro da Casa Civil, o general Walter Braga Netto, e é sustentado na reativação de obras públicas com recursos do Tesouro, como forma de evitar uma escalada do desemprego.

Inspirado no “Plano Marshall”, em referência ao programa dos EUA de recuperação de países aliados após da Segunda Guerra Mundial, o plano deve durar dez anos.

“Estava sendo entendido como reestatização, o que desagrada a Guedes. Mas não vai ser isso. Braga Netto já deixou muito claro que não é a volta do protagonismo do estado”, afirmou Rocha.

Batista, da Abrinq, também não vê Guedes ameaçado. “Não teve ataque ao ministro Paulo Guedes. Não acho que tenha ficado magoado. É só um planejamento. É um plano como militar pensa. E o plano não é ruim para o Brasil.”

Um industrial, no entanto, disse que é brincadeira apresentar um plano de retomada sem alinhar com a equipe da Economia. Outro presidente de associação disse que o plano foi um factoide para tirar o holofote da coletiva da Saúde.

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