Descrição de chapéu Financial Times tecnologia

Ações das big techs ganham com a vitória de Biden

Facebook, Microsoft, Apple e Amazon subiram antes da eleição do democrata; setor cresce durante pandemia

Nova York | Financial Times

Antes que os americanos soubessem o resultado da eleição presidencial de 2020, os investidores aclamaram um vencedor: as ações de tecnologia de alto desempenho que já dispararam este ano.

As ações das grandes empresas tecnológicas como Facebook, Microsoft, Apple e Amazon subiram horas após o fechamento das seções eleitorais em 3 de novembro. No final da semana passada, o índice Nasdaq Composto estava mais uma vez perto de seu recorde.

Antes da votação, alguns investidores previram que os democratas assumiriam a Presidência e o Senado —uma chamada "onda azul" que desencadearia um estímulo fiscal grande e rápido e reforçaria as ações não apreciadas mais sensíveis para a economia dos Estados Unidos, como de bancos e montadoras. Em vez disso, com o Senado potencialmente ainda fora de alcance e alguns assentos disponíveis, as big techs estão novamente em demanda.

Grande parte da corporativa EUA está sitiada pelo coronavírus, as falências aumentam e muitos trabalhadores não conseguem encontrar empregos. Os gestores financeiros estão apostando que as grandes empresas de tecnologia proporcionarão um refúgio nesse ambiente.

"Voltamos a um mundo em que o crescimento é relativamente escasso, e você se dispõe a pagar um prêmio no mercado por isso", disse Mike Pyle, estrategista-chefe de investimento global na BlackRock.

Os investidores aumentaram suas posições em ações nos últimos dias, e os fundos de ações dos EUA também viram novos ingressos, segundo a agência EPFR.

"Havia muito dinheiro encostado esperando alguma clareza sobre a eleição", disse Stephen Dover, chefe de ações da Franklin Templeton Investments. "Fiquei surpreso que em quase todas as comunicações com investidores a pergunta que ouço é: o que um investidor em dinheiro deve fazer?"

Wayne Wicker, diretor de investimentos da administradora de planos de pensão ICMA-RC, reforçou sua posição em tecnologia dias após a eleição. "Sofremos com a queda nas últimas semanas, e aumentar [as posições de tecnologia] nesta semana foi benéfico para muitos fundos que administramos", disse ele.

As empresas tecnológicas são as estrelas do desempenho no mercado de ações americano neste ano, aumentando os lucros em meio a uma das piores recessões globais desde a Grande Depressão. Enquanto muitas empresas de viagens, hotelaria e entretenimento estão à beira da insolvência, a pandemia aumentou a demanda por produtos como Apple e Microsoft, à medida que os trabalhadores compram novos equipamentos para escritórios domésticos e as empresas dependem cada vez mais de software e outros serviços.

"Existe uma dicotomia —de um lado você tem lazer, cruzeiros e companhias aéreas, e do outro tem a Amazon e a Microsoft", disse Susan Schmidt, diretora de ações dos EUA na Aviva Investors. "É um momento único. Normalmente não vemos uma disparidade tão radical entre modelos de negócios."

As taxas de juros baixas também ajudam os investidores a justificar as avaliações relativamente altas de empresas de tecnologia de crescimento mais rápido. A relação preço/lucro do Google na semana passada voltou a se aproximar de seu nível mais alto em mais de dez anos, com ações negociadas a 26,5 vezes os lucros esperados para o próximo ano. Desde a eleição, os múltiplos se expandiram para Facebook, Microsoft, Salesforce, Adobe, fabricante do Photoshop, e a fabricante de chips Qualcomm.

"Qualquer tipo de ativo de longa duração combinado com inflação baixa e cenário de taxa baixa se tornou mais valioso", disse John Porter, diretor de investimentos e chefe de patrimônio do Mellon. "Esses grandes nomes da tecnologia são (...) termômetros para este ambiente."

A perspectiva de um governo dividido leva os investidores a apostar que os cortes de impostos assinados pelo presidente Donald Trump permanecerão em vigor. Também reduziu, mas não anulou, o risco de novas regulamentações tecnológicas pesadas.

"Estávamos preocupados com uma alíquota tributária mais alta não só para as empresas, mas também para ganhos de capital —tecnologia era uma área onde tínhamos muitos ganhos de capital", disse Schmidt.

A alta nas ações tecnológicas redirecionou a atenção para o mercado de derivativos, onde uma onda de atividade em agosto e setembro ajudou a impulsionar o mercado mais amplo. David Silber, diretor de derivativos de ações na Citadel Securities, disse que as corretoras agora estão analisando o volume das apostas em opções em aberto com tendência de alta em grandes empresas de tecnologia e em crescimento, que semanas atrás pareciam que iriam expirar sem valor.

A recuperação nos últimos dias significa que os corretores que venderam as opções precisarão se proteger comprando ações, proporcionando um aumento extra para as ações dos EUA, disse Silber.

Alguns investidores alertaram que a recuperação tecnológica ainda pode se desfazer. Uma potencial falta de estímulo durante vários meses poderia causar danos duradouros à economia ou interromper a recuperação em curso, justamente quando os casos de coronavírus se aceleram. Os investidores também alertaram que os dados sobre testes de vacinas contra o coronavírus nos próximos dias poderão estimular o mercado de ações dos EUA em geral e mudar rapidamente o posicionamento dos investidores.

"O pano de fundo geopolítico é uma parte importante do investimento, mas apenas parte dele", disse Porter. "Os preços das ações ainda são impulsionados pelos lucros. Quem está no comando em Washington é importante, mas apenas uma parte do mosaico."

Tradução Luiz Roberto M. Gonçalves

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.