Bolsa brasileira caminha para o melhor mês desde 2002

Ibovespa sobe quase 18% em novembro; Bolsas americanas batem recorde

São Paulo

A eficácia de vacinas contra a Covid-19 e a transição do governo Donald Trump para Joe Biden nos Estados Unidos levaram o mercado de ações globais a mais uma semana de fortes altas e recordes. Em Wall Street, os três principais índices acionários chegaram a suas pontuações máximas e podem ter o melhor novembro, que se encerra na próxima segunda (30), da história.

Na esteira do otimismo externo, a Bolsa brasileira subiu 4,27% na semana e acumula uma alta de 17,7% em novembro, a maior valorização mensal desde outubro de 2002. Nesta sexta-feira (27), o Ibovespa subiu 0,31%, a 110.575 pontos. No ano, porém, ainda há desvalorização de 4,4%.

Painéis da B3, Bolsa de Valores de São Paulo
Painéis da B3, Bolsa de Valores de São Paulo; Ibovespa fechou a sexta (27) em alta - Amanda Perobelli/Reuters

Após o Dow Jones bater recorde na terça (24), nesta sexta foi a vez da Nasdaq, que subiu 0,92%, a 12.205,8 pontos, e do S&P 500, com alta de 0,24%, a 3.638 pontos. Na sessão, Dow Jones teve elevação de 0,13%

"É um bom presságio para o próximo mês", disse Peter Cardillo, economista-chefe de mercado da Spartan Capital Securities, em Nova York. "Veremos um rali de Natal? Provavelmente. Será tão robusto quanto novembro? É um grande ponto de interrogação."

Nesta sexta, varejistas abriram suas portas para os compradores da Black Friday, com práticas de distanciamento social e outras medidas postas em prática para mitigar os riscos de infecção, e ofereceram descontos elevados.

"A Black Friday perdeu um pouco do brilho, o tráfego diminuiu devido à pandemia, mas a boa notícia é que as vendas de comércio eletrônico atingiram um novo recorde. Isso é encorajador", disse Cardillo.

No mais recente progresso no caminho ao desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19, o Reino Unido deu sinal verde à farmacêutica AstraZeneca depois que os especialistas levantaram questões sobre os dados do teste da vacina.

A corrida pelo imunizante tem prevalecido aos olhos do investidor, mesmo com as hospitalizações por coronavírus nos EUA batendo um recorde de mais de 89 mil.

Além disso, o começo da transição de governo americano trouxe alívio ao mercado, que vê como positiva a chance de que a ex-presidente do Fed (banco central dos EUA), Janet Yellen, comande o Tesouro americano.

"Trump começa a admitir a vitória de Biden, e o próprio Biden que trazia um certo receio inicialmente já adotou um discurso bem conservador essa semana, o que fez os índices de volatilidade voltarem para os patamares pré-pandemia em níveis bem estáveis", afirmou Abner Gonçalves, sócio na BlueTrade.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas da região, fechou em alta de 0,4% nesta sexta. O índice ganhou 40% desde um tombo causado pelo coronavírus em março e está prestes a encerrar seu melhor mês já registrado, com ganhos de quase 15%.

As ações de energia foram as maiores ganhadoras na semana, devido aos fortes ganhos nos preços do petróleo.

A onda otimista levou o Ibovespa à sua quarta semana consecutiva de valorização, caminhando para o melhor desempenho para um mês de novembro desde 1999.

Segundo Yuri Cavalcante, sócio na Aplix Investimentos, o investidor global ficou com mais apetite a risco e a depreciação do real neste ano é um componente adicional, uma vez que deixou as ações brasileiras duplamente descontadas quando se olha os preços em dólar. "Isso ofuscou as notícias internas e preocupações com o fiscal."

A Bolsa brasileira foi beneficiada pela entrada de estrangeiros no mercado secundário de ações, em linha com outros emergentes, com dados da B3 mostrando saldo líquido de cerca de R$ 30 bilhões em novembro até o dia 25, o que ajudou a reduzir o déficit para R$ 53 bilhões no ano.

Além disso, a temporada de resultados das empresas brasileiras do terceiro trimestre mostrou dados melhores do que o esperado por muitos analistas, endossando avaliações de que o pior dos efeitos da pandemia de Covid-19 nas companhias do país ficou para trás.

Com a entrada de investidores estrangeiros no país, o dólar caiu 1,13% na semana e acumula queda de 7,2% no mês. Nesta sexta, recuou 0,18%, a R$ 5,3270. O turismo está a R$ 5,477.

No Ibovespa, os papéis de Suzano e Klabin figuraram entre as maiores altas da sessão, subindo 4,06% e 4,59%, respectivamente, na esteira de anúncio de aumento de preço pela Suzano e aprovação da incorporação da Sogemar por acionistas da Klabin.

A Vale avançou 2,22%, após obter licença para retomada e expansão de Serra Leste, no Pará.

Já as ações da Via Varejo recuaram 3,75%, em meio a movimentos de realização de lucros após ganhos expressivos no começo da pandemia. Magazine Luiza caiu 0,82%. B2W resistiu e fechou em alta de 1,12%.

O Itaú Unibanco subiu 1,15%, um dia após seu conselho de administração aprovar a segregação da participação do conglomerado na XP Inc. em nova sociedade. Nesta sexta, a XP disse que estuda possível fusão com a nova sociedade. Em Nova York, a ação da XP caiu 0,76%.

Fora do Ibovspa, a SLC Agrícola teve um salto de cerca de 9%. A empresa assinou memorando de entendimento para assumir as operações da Terra Santa Agro, que viu suas ações disparem 35,47%.




(Com Reuters)

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