Mato Grosso concede 3 trechos rodoviários com investimento mínimo de R$ 1,5 bilhão

Leilão teve pouca disputa, mas governo diz que objetivo de transferir projetos a empresas privadas foi cumprido

Rio de Janeiro

Em um leilão com pouca disputa, o governo do Mato Grosso concedeu nesta quinta (26) 512 quilômetros de rodovias estaduais. Os vencedores dos três lotes oferecidos terão que investir, no mínimo, R$ 1,45 bilhão em conservação e melhorias nas estradas.

São rodovias importantes para o escoamento da safra agrícola e da produção animal do estado. ​Os novos operadores serão responsáveis por conservação, recuperação, manutenção, implantação de melhorias e operação rodoviária por 30 anos.

"Ficamos muito felizes porque o grande objetivo almejado pelo estado é a transferência à iniciativa privada da manutenção desses modais rodoviários", disse após o leilão o governador, Mauro Mendes (DEM).

O estado planeja a concessão de outros sete novos lotes, com 1,9 mil quilômetros, que devem ir a leilão até 2022, disse o governador. Segundo ele, a ideia é focar os recursos na construção de novas rodovias.

"Está no eixo da nossa estratégia a construção de 2.400 quilômetros de rodovias pavimentadas e o estado não tem condições de investir na construção e ao mesmo tempo alocar recursos na manutenção", afirmou.

No leilão desta quinta, três diferentes empresas venceram os trechos. O maior deles, que liga os municípios de Jangada e Itanorte, ficou com o consórcio Via Brasil, da Conasa Infraestrutura.

O trecho entre Primavera do Leste e Paranatinga ficou com o consórcio Primavera MT-130, liderado pela empresa de engenharia Vale do Rio Novo. Já o consórcio Via Norte Sul, da construtora Constral, levou o trecho que liga Tabaporã a Sinop.

A disputa se deu, primeiro, pela oferta da menor tarifa de pedágio, respeitando um piso estabelecido em edital. Em apenas um caso, o valor ficou abaixo do preço máximo: no lote Tabaporã, o consórcio Via Norte Sul baixou o preço de R$ 8,30 para R$ 8,25. Nos outros dois trechos, o pedágio será de R$ 7,90.

Em caso de empate, a disputa iria para o valor de outorga, o que aconteceu em um dos trechos, o de Primavera do Leste. Na apresentação das ofertas, o consórcio Primavera MT 130 ofereceu um bônus de outorga de R$ 1 milhão, 20 vezes o valor mínimo.

O governador Mauro Mendes disse estar satisfeito e que a falta de concorrência pode ser reflexo do cenário de incertezas na economia brasileira, em particular, e na global, em geral.

"Nâo é objetivo do estado arrecadar valores nesses leilões. Nosso objetivo é ter uma grande infraestrutura", afirmou. "Temos um grande desafio no estado do Mato Grosso, que é melhorar a logística rodoviária, ferroviária e outros modais."

O estado espera a geração de mais de 3 mil empregos nas obras previstas nos trechos concedidos no leilão desta quinta.

O leilão de rodovias do Mato Grosso se segue a uma série de ofertas de concessões ou PPPs (parcerias público privadas) em infraestrutura na B3, incluindo contratos nos setores de saneamento e iluminação pública, por exemplo.

Na frente das privatizações, a bolsa realizou também o leilão de venda da estatal paranaense Copel Telecom, no início de novembro. Em entrevista após o leilão desta quinta, o governador de Mato Grosso disse que, além de rodovias, o governo prepara um programa de concessões em saneamento.

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