Guedes destoa de Bolsonaro e diz que vacinação em massa é grande esperança para economia

Ministro afirma que retorno seguro ao trabalho depende de imunização ampla; presidente resiste à ideia

Brasília

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta sexta-feira (18) que a grande esperança para a retomada da economia é a vacinação em massa da população contra a Covid-19.

Em análise que destoa de declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele disse que o retorno seguro dos brasileiros ao trabalho depende de um amplo programa de imunização da população.

“A grande esperança é a vacinação em massa para garantir o retorno seguro ao trabalho”, disse em entrevista coletiva de balanço das atividades da pasta em 2020 e perspectivas para 2021.

Paulo Guedes (Economia) no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

O ministro comparou a situação do país a um pássaro, que só pode voar com duas asas funcionando plenamente, em referência à saúde e à economia.

“Você precisa bater a asa da recuperação econômica e, ao mesmo tempo, a asa da saúde, da vacinação em massa. Só é possível sustentar essa recuperação econômica […] à medida em que nós tenhamos um retorno seguro ao trabalho. E esse retorno seguro ao trabalho exige a vacinação em massa”, disse.

Já Bolsonaro tem dado declarações que colocam em dúvida a segurança das vacinas. Além de falar que a imunização não será obrigatória, ele disse a apoiadores que a pessoa vacinada terá de assinar um termo de responsabilidade para arcar com eventuais problemas relacionados à aplicação do imunizante.

Na entrevista desta sexta, Guedes disse que apoia a ideia de que a vacinação seja optativa. O ministro ponderou que concorda com eventuais sanções a pessoas que decidirem não receber a imunização.

"Tem que ter vacina para todo mundo, gratuita e de livre escolha de cada um. Se alguém não quiser tomar, ele tem o direito de não tomar. Agora, ele também não deve ir a um cinema. Ele não tomou, pode estar passando isso para os outros, ele tem que ter uma circulação restrita. Eu gostei da ideia de um passaporte de imunização", afirmou.

Aos 71 anos, o ministro sugeriu que pode tomar um imunizante que seja distribuído por "sociedades civilizadas e avançadas", mas disse que não responderá diretamente a essa questão por ter direito a privacidade.

As declarações de Guedes estão em linha com posição apresentada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nesta semana, ele afirmou que vacinar a população é mais barato do que prorrogar os programas emergenciais do governo contra a Covid-19.

Guedes indicou que a ampliação do número de casos da doença pode ter sido causada pela redução do isolamento social e pelo retorno dos brasileiros às atividades, medidas que são defendidas por Bolsonaro.

“É um número assustador voltar a 1.000 mortes. Foi o nosso comportamento que botou a economia de volta e pode ser que o nosso comportamento também tenha causado esse repique. Temos que observar”, disse o ministro.

De acordo com Guedes, o governo está analisando se o aumento recente dos casos de coronavírus é um repique ou uma segunda onda da pandemia.

O ministro afirmou que o “plano A” do governo considera que a atividade econômica está em processo de retomada e que o auxílio emergencial será encerrado em 31 de dezembro. Ele ponderou que, se essa realidade não se mantiver, “vamos ter que pensar como é que nós fazemos, mas sabemos o que fazer”.

“Se houver um revigoramento da pandemia e uma segunda onda claramente indicada do ponto de vista da saúde, evidentemente, temos que ter uma ação tão fulminante e decisiva como tivemos da outra vez”, disse.

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