Descrição de chapéu Financial Times

Nova onda de Covid abala perspectiva de recuperação econômica da Europa

Número crescente de contágios e lockdown levam a corte nas projeções de crescimento

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Martin Arnold
Frankfurt | Financial Times

Os economistas estão reduzindo as projeções de crescimento para a economia da zona do euro, enquanto uma terceira onda de contágios pela Covid-19 e atrasos na vacinação resultam em restrições mais severas em diversos países, entre os quais Alemanha, França e Itália.

O retorno das medidas de lockdown em toda a Europa está alimentando preocupações de que a região possa sofrer uma nova temporada decepcionante de turismo no verão do hemisfério norte, se a vacinação não se acelerar o suficiente para permitir o relaxamento das restrições de viagem.

A França impôs um novo lockdown de quatro semanas em Paris e diversas outras regiões, na noite de sexta-feira (19), depois que o nível de contágio pelo coronavírus subiu ao seu ponto mais alto desde novembro.

A Itália já havia anunciado um novo lockdown para o período da Páscoa, e algumas cidades da Alemanha recuaram quanto à suspensão de restrições que haviam decretado recentemente, por conta de uma alta acentuada no número de contágios.

Isso levou economistas do setor privado, em bancos como o Goldman Sachs, Barclays, ING e Berenberg, a reduzir suas projeções para o crescimento da zona do euro –em contraste com a melhora das perspectivas nos Estados Unidos e em boa parte da economia mundial.

“Até o momento, nós vínhamos baseando nossas projeções para a zona do euro na suposição de que as medidas de lockdown seriam gradualmente relaxadas ao longo de março”, disse Carsten Brzeski, diretor de pesquisa macroeconômica do ING. “Bem, podemos esquecer isso."

Ele declarou que o ING agora antecipava que a economia da zona do euro venha a se contrair em 1,5% no primeiro trimestre, ante uma projeção inicial de contração de 0,8%.

Holger Schmieding, economista chefe do Berensberg, disse que cada mês passado em lockdown resultaria em redução de 0,3 ponto percentual no crescimento da zona do euro. Ele reduziu sua projeção de crescimento para o ano de 4,4% para 4,1%, presumindo que a reabertura da economia seja postergada em um mês.

Nesta segunda-feira (22), a chanceler alemã Angela Merkel vai se reunir com líderes regionais de seu país para discutir se deve haver um aperto nas restrições depois que o índice de contágios na Alemanha subiu a 103,9 por 100 mil habitantes, no domingo. Se o número permanecer acima de 100 por três dias consecutivos em uma região, um “freio de emergência” requer o retorno do lockdown.

As cidades de Hamburgo e Colônia já apertaram as restrições em vigor. Berlim está estudando requerer que todos os viajantes vindos do exterior passem por exame de coronavírus antes de deixarem seus países, e que realizem uma quarentena ao chegar, de acordo com um anteprojeto de resolução noticiado pelo jornal Bild.

“É claro que os riscos de baixa continuam a predominar”, disse Nadia Gharbi, economista da Pictet Wealth Management. “Muito dependerá da capacidade da União Europeia para acelerar as vacinações em abril e maio."

Apenas cerca de 12% das pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 na União Europeia, ante 37% nos Estados Unidos e 43% no Reino Unido, de acordo com o registro de vacinação do Financial Times. O progresso na vacinação europeia foi prejudicado por problemas de suprimento, e na semana passada diversos países suspenderam temporariamente o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca.

Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, declarou na semana passada que o suprimento de vacinas aumentaria no segundo trimestre, garantindo que a União estava a caminho de vacinar 70% de sua população adulta “até o final do verão” (terceiro trimestre).

Economistas do banco Morgan Stanley alertaram na semana passada que se as restrições continuassem por mais alguns meses, isso causaria “um novo verão perdido” e reduziria em dois a três pontos percentuais o PIB (Produto Interno Bruto) da Espanha e da Itália.

Economistas do banco Barclays disseram que agora antecipavam que as restrições de mobilidade na Europa só venham a ser suspensas no final do segundo trimestre, “o que enfraquecerá a demanda interna, e consequentemente as importações”. Eles mantiveram sua projeção de crescimento anual em 3,9%, mas cortaram a projeção para o ano que vem de 5,3% para 4,3%.

Ainda que muitos economistas estejam pessimistas sobre as perspectivas de curto prazo da zona do euro, a maioria deles está convencida de que haverá forte recuperação assim que seja vacinado um número de pessoas suficiente para permitir a suspensão das restrições, dentro de alguns meses. Outros apontaram que a recuperação no comércio internacional será um estímulo para a indústria da Alemanha, cujo foco é a exportação.

Erik Nielsen, economista chefe da UniCredit, disse que a zona do euro seria beneficiada pelo pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão nos Estados Unidos. “O impulso dos Estados Unidos será positivo –e e mais positivo que o impulso negativo do lockdown”, ele disse.

Financial Times, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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