Estudantes brasileiros podem perder 8% da renda futura, diz FMI

Impacto da pandemia sobre alunos do Brasil é o dobro da média na América Latina

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São Paulo

As aulas perdidas durante a pandemia de Covid-19, caso não sejam compensadas, podem levar a uma redução de cerca de 8% da renda ao longo da vida para estudantes brasileiros que têm de 10 a 19 anos, segundo estimativa do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O baque estimado para os jovens brasileiros, no entanto, é quase o dobro do que a equipe do FMI prevê para a média da América Latina, onde os estudantes podem esperar uma renda 4% menor no futuro, se os dias perdidos de estudo não forem repostos.

A perspectiva de redução da renda futura para os estudantes brasileiros também é pior do que para os chilenos (-4%), colombianos (-3%) ou mexicanos (-2%).

As conclusões constam em um estudo assinado pelos economistas Alejandro Werner (diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI), Takuji Komatsuzaki e Carlo Pizzinelli publicado no blog da instituição nesta quinta-feira (15).

Os pesquisadores reforçam que, além da perda de vidas, a pandemia vai resultar em danos duradouros para o capital humano, a partir do fechamento de escolas —que foi mais longo na América Latina do que em outras regiões.

A análise da instituição destaca que a contração do PIB (Produto Interno Bruto) da região, de 7% no ano passado, foi bem acima da média global, de 3,3%. Para este ano, as perspectivas também não são animadoras: o crescimento projetado é de 4,6%, abaixo dos 5,8% esperados para os emergentes, excluindo a China.

Além disso, a renda per capita dos latinos não deve voltar ao nível pré-pandemia antes de 2024, resultando em uma perda acumulada de 30% em relação à tendência de antes da Covid-19.

As perdas de renda variam entre os países, dependendo do quanto a pandemia reduziu a chance de um estudante concluir o ensino médio e do impacto no ensino superior. Para os alunos cujas famílias têm menos possibilidade de apoiar a aprendizagem fora da escola, as perdas serão maiores. Isso deve aumentar a já elevada desigualdade de renda e baixos níveis de escolaridade.

Os economistas também destacam o quanto a vacinação rápida e medidas do governo têm dado ao Chile um impulso de curto prazo. Por outro lado, a forte onda de Covid-19 no Brasil, combinada ao processo lento de vacinação, lança uma sombra sobre as perspectivas de curto prazo para a economia.

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