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Sem 'textão', e áudio só em último caso: veja dicas de etiqueta para WhatsApp e Zoom

Fadiga de telas pode ser potencializada por atitudes que causam ruído

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São Paulo

De aulas online a lives de shows, a pandemia do coronavírus atingiu todos os setores e catalisou mudanças que já estavam em curso com o amplo uso de novas tecnologias. Não tão drástica foi a mudança de comportamento de alguns usuários dessas ferramentas.

A fadiga de telas, que possibilitam reuniões de trabalho por videoconferências e longas conversas por mensagens com amigos e família, pode ser potencializada por pequenas atitudes que causam ruído na comunicação. Veja atitudes que podem irritar o seu interlocutor neste momento de hiperexposição a celulares e computadores.

Etiqueta em aplicativos de mensagem e chamadas de vídeo
Catarina Pignato/Folhapress

Não envie uma enxurrada de mensagens picadas

WhatsApp, Telegram, Slack e outros aplicativos de mensagem são utilizados, na maior parte das vezes, para recados escritos. Apesar disso, a espontaneidade das mensagens carrega características da linguagem falada, o que pode prejudicar a comunicação.

"O primeiro ato é a pessoa refletir sobre as ações dela", afirma Kelli Angelini, gerente do departamento jurídico do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. "Como estamos mesclando texto e fala, e tendo em vista que esses aplicativos são para mensagens rápidas, a gente acaba não tendo muita reflexão e a conversa sai como uma ligação telefônica."

A dica é: em situações formais, como contatos profissionais, pense se aquela mensagem tem a urgência de uma ligação. Se não tiver, ao escrever, releia antes de enviar e reflita sobre a existência de mais alguma instrução ou recado a ser dado. Essas atitudes evitam que o celular do seu interlocutor apite a todo momento, criando nele uma urgência desnecessária, e que demandas se percam na enxurrada de mensagens.

Áudio: prático para você, chato para quem vai ouvir

Áudios normalmente vem com um aviso prévio: "Desculpe, não estou podendo digitar". Em ambientes profissionais, o apelo deve ser guardado para momentos em que digitar a mensagem seja realmente inviável.

Algumas características fazem os áudios serem um recurso polêmico dos aplicativos de mensagem.

Em primeiro lugar, não podemos revisar falas. Especialmente nos momentos em que é necessário lançar mão da ferramenta: quando se está apressado. Além disso, áudios que não têm um objetivo claro acabam com eventuais demandas ao interlocutor perdidas no meio de divagações. E, por último, apesar de ser mais prático a quem fala, é mais trabalhoso ouvir um áudio do que ler mensagens objetivas.

Caso seja inevitável, avise o seu interlocutor e pense no que precisa falar. Após elencar na sua mente as demandas, diga objetivamente o que precisa e não hesite em descartá-lo caso tenha terminado cheio de digressões.

Catarina Pignato/Folhapress

Respeite o horário comercial para enviar mensagem sobre trabalho

"O trabalho não tem mais fim", ouve-se com cada vez mais frequência dos muitos que migraram para o home office após o início da pandemia. A fusão do ambiente de casa com o escritório borrou o horário de saída e entrada do trabalho para muitos brasileiros.

A boa notícia é que podemos ajudar a não agravar esse problema. Evite contatar pessoas sobre assuntos relativos a trabalho fora do horário comercial. Prestadores de serviços e pessoas que trabalham por conta própria, que se multiplicaram na pandemia, obviamente estão nessa lista.

Mesmo que não esteja sendo solicitada uma resposta imediata, a mensagem pode interromper o momento de descanso de outra pessoa. "Você não ganha hora extra para isso e está deixando a sua vida particular para ficar trabalhando para os outros", resume Anna Lucia King, coordenadora do Laboratório Delete, de detox digital, da UFRJ.

Além disso, ao enviar uma mensagem, espere pelo menos um dia para cobrar respostas. Urgências demandam ligações.

​Tenha bom senso nos compartilhamentos

Se antes não estava claro, a pandemia mostrou como notícias falsas podem trazer consequências sérias. No ano passado, elas causaram problemas como hospitais invadidos —após o boato de que estariam vazios.

Desconfie de informações bombásticas que venham de sites desconhecidos e sempre confirme a notícia em agências de checagem. Apenas repasse conteúdos cuja veracidade esteja comprovada.

Mensagens de cunho particular também devem ficar de fora em grupos muito grandes. Além de colocar o remetente em uma situação vulnerável, pode gerar constrangimento ou expor as pessoas que estão naquele espaço.

Da mesma forma, evite imagens em excesso e mensagens genéricas. "Tem pessoas que têm dedos frenéticos: tudo o que recebem, precisam compartilhar", diz a advogada Kelli Angelini.

Não atrapalhe a reunião deixando o microfone ligado

Uma sala online lotada em que todos mantêm seus microfones ligados pode arruinar uma reunião. O ideal é que o microfone seja ligado apenas quando o usuário for falar, o que evita interferência de ruídos externos e eco da fala de outros participantes do encontro. Conexões baixas podem exigir que todos desliguem as suas câmeras e apenas quem estiver falando apareça.

Em reuniões muito grandes, porém, nem sempre é preciso tomar a palavra. A maioria dos aplicativos de chamadas de vídeo tem a opção de chat. Antes de ligar o microfone, pergunte-se se a sua dúvida pode ser respondida rapidamente por um colega por escrito ou se a sua intervenção não ficaria melhor articulada no chat.

O cansaço de videoconferências se tornou tão comum que ganhou até um nome: "Zoom fatigue", uma espécie de fadiga causa pelo Zoom, uma das plataformas mais usadas para as chamadas em vídeo. Atrasos na fala, excesso de informação e a necessidade de constante atenção são apontados por psicólogos como as causas desse cansaço.

Catarina Pignato/Folhapress

'Bom dia' e meme não são para grupo de trabalho

Grupos criados para projetos, cursos ou trabalho devem ter mensagens que digam respeito àquele universo, ou perdem a serventia.

"Não é uma boa conduta ficar mandando mensagens de bom dia exageradamente em um grupo criado para o trabalho", exemplifica Angelini. O mesmo raciocínio pode ser aplicado para notícias ou imagens que interessam apenas a uma parte daquelas pessoas. "Pense na finalidade do grupo e só envie informações que sejam pertinentes."

Ainda em relação a grupos de conversa, perceba se o conteúdo que pretende compartilhar precisa ser enviado para todos ou pode ser destinado a apenas uma pessoa. Dúvidas muito particulares a respeito da escola dos filhos, por exemplo, podem ser resolvidas com a coordenação da instituição, por exemplo.

E lembre-se que aplicativos nem sempre são o local adequado para entrar em discussões. Fala-se por impulsividade, mas as mensagens ficam gravadas e não guardam o tom de voz ou a intenção com que o usuário quis falar. Reserve discussões acaloradas para outros momentos.

Dica bônus: imponha limites

Nem sempre é possível contar com o bom senso de outras pessoas. Por isso, é importante colocar limites e, se preciso, adotar algumas medidas para ter uma relação melhor com a tecnologia neste momento de pandemia.

Algumas dicas são inativar o download imediato de mídia em seus aplicativos de mensagem; avisar que está em férias, em licença maternidade ou em um feriado pela foto de perfil; adicionar o horário de trabalho no perfil no WhatsApp e desativar as notificações de grupos muito grandes.;

"As tecnologias são um canal de representação daquilo que já existe na pessoa", explica a doutora em saúde mental Anna Lucia King. Pessoas com alguma tendência à ansiedade, por exemplo, podem ter o transtorno potencializado nesses espaços.

"Sabendo que as tecnologias te dão alguma sensação desagradável e podem te trazer problemas, você tem que traçar limites para você mesmo no seu dia-a-dia", afirma.

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