UOL completa 25 anos com aposta em mais conteúdo e vídeos

Com a terceira maior audiência da internet brasileira, fica atrás apenas de Google e Facebook

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São Paulo

O UOL, que nasceu Universo Online em 28 de abril de 1996, completa 25 anos nesta quarta-feira (28), com anúncio de nova marca.

Em mais de duas décadas, com o foco permanente de democratizar acessos, consolidou-se como a maior empresa brasileira de conteúdo, serviços, produtos da internet e meios de pagamento.

Entrou no ar, lá atrás, tendo em mente três dos pilares que, ainda hoje, sedimentam sua liderança: parcerias fortes (estreou com conteúdo da Folha e do New York Times), produtos inovadores (o bate-papo existe até hoje) e serviços baseados em tecnologia (surgiu como provedor de acesso à internet).

No início, o parâmetro era a AOL (America Online), gigante da internet nos Estados Unidos e que tinha anunciado, um ano antes da chegada de fato, seu plano de vir para o Brasil, relembra Gil Torquato, atual presidente da Compasso UOL (ex-UOL Diveo), braço do grupo que trabalha no desenvolvimento de software e transformação digital de empresas.

Primeira home do UOL, com Universo Online no centro de uma página azul escura
Primeira home do UOL, que entrou no ar em 28 de abril de 1996 - Reprodução

“Costumávamos dizer que conhecíamos mais a AOL do que ela mesma. A própria criação da marca, uma sugestão do Luiz, tinha que ter três letras. Ser facilmente digitada e entendida em qualquer língua: UOL, Universo Online”, conta Torquato.

Ele está no Grupo Folha desde 1985. Em 1996, foi convidado a participar da fundação do UOL por Luiz Frias, atual presidente do Conselho de Administração do Grupo UOL/PagSeguro e também publisher do jornal Folha de S.Paulo.

“Fui diretor de serviços de acesso, cuidando de assinaturas, callcenter. O Caio Túlio cuidava do conteúdo.”

Na definição usada por Caio Túlio Costa, jornalista que dirigiu o UOL da fundação até 2002, foi literalmente um “plano de guerra”. E que deu certo. A AOL chegou a terras latinas em 1999, fechando em 2006, após pedido de concordata. Um ano antes, em 2005, o UOL abriu seu capital na Bovespa.

“Acima de tudo, o foco era dar à maior quantidade possível de pessoas mais acesso a mais serviços de qualidade”, resume Caio Túlio.

Quando o UOL foi lançado, a projeção era que a internet brasileira tivesse 300 mil usuários até o fim de 1996. Um crescimento forte em comparação aos 50 mil internautas estimados no país quando entrou no ar, em 1995, a FolhaWeb.

O plano de voo era ter 150 mil assinantes em 18 meses —hoje, são mais de 2 milhões. E, como diz o manual impresso (digitalizado, claro) guardado até hoje por Costa, com o nome Folha Online no alto —“era sigilo o nome que tínhamos escolhido”—, criar “o mais amigável serviço interativo de comunicação online, numa linguagem única e divertida”.

“Muitas dessas coisas evoluem, mudam, mas a espinha dorsal se mantém. É impressionante a clareza dos negócios desde o dia um”, avalia Murilo Garavello, atual diretor de conteúdo do UOL, ao ver os sete pontos daquela lista de “características essenciais que o novo produto deveria ter”.

Redação do UOL vazia; entrada iluminada e, atrás de porta de vidro, logo do UOL
Redação do UOL no prédio da al. Barão de Limeira, centro de São Paulo; equipe trabalha em home office desde o começo da pandemia - Mariana Pekin/UOL

Os sete pontos: conteúdo, contexto e acesso fácil, comunidade, comércio, conectividade, custo acessível e contato com o mundo.

Atualmente, a Redação varia de 330 a 350 profissionais, sendo 270 jornalistas, segundo Garavello.

“Nos últimos anos, nossa audiência disparou com a segmentação e investimento em produção própria, além do aumento dos parceiros”, diz Paulo Samia, presidente do UOL Conteúdo e Serviços há dois anos, mas na empresa desde 2000, em diversas funções. São mais de 300 parcerias ativas hoje, incluindo a Folha.

Nosso objetivo é levar informação, entretenimento e conteúdo de qualidade para os todos momentos da jornada do leitor. Se ele está dirigindo, pode ouvir um podcast. Se está em casa, ver um vídeo. Se está no trabalho, ler a capa do site

Paulo Samia

presidente do UOL Conteúdo e Serviços

Para ele, foram tais iniciativas que ajudaram o UOL a sair de uma penetração de 60% da internet brasileira, há três anos, para 90%, atualmente. “E já chegamos a 94% no pico. Isso significa que nove em cada dez brasileiros acessam o UOL ao menos uma vez por mês.”

Os dados citados pelo executivo são da Comscore, empresa americana especializada na análise de tráfego. O UOL detém a terceira maior audiência da internet brasileira, atrás apenas de Google e Facebook. Em março, foram 109,4 milhões de usuários únicos.

“Para o mercado, somos um portal de notícias, mas o portfólio do UOL tem mais de 40 produtos, para pessoas, pequenas empresas, soluções de publicidade, digitalização, hospedagem de negócios e ecommerce”, lista Samia.

Para o futuro, mais foco ainda na produção de vídeos e tecnologia. Em 2019, foi criada a MOV, produtora de vídeos, e, no ano passado, lançada a UOL Play, plataforma de streaming, com vídeos sob demanda e ao vivo.

"Estamos nos reinventando, tentando falar com um público mais jovem. Temos que nos manter relevantes e buscar o cliente dos próximos 25 anos", continua Samia.

Sala com parede de vidro com duas câmeras, tv e notebook sobre uma mesa
Um dos estúdios para gravação de vídeos do UOL; formato, que tem recebido investimentos, se mantém no foco em 2021 - Mariana Pekin/UOL

DIVERSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS

“O alcance e a audiência qualificada do portal são importantes para todos os negócios massificados que temos e que venhamos a ter. É uma força perante a concorrência. Eles podem lançar muitas coisas, mas não falam com 90% da internet brasileira”, afirma Eduardo Alcaro, há dez anos diretor financeiro do Grupo UOL.

Segundo Alcaro, a diversificação faz muita diferença na saúde financeira do grupo. Passam de 50 os negócios realizados, entre aquisições e vendas, só na última década.


RAIO-X
Grupo UOL
Empresas: UOL Conteúdo e Serviços, UOL EdTech, Compasso UOL e PagSeguro PagBank
Funcionários: 8.100
Clientes PagSeguro PagBank: 9,7 milhões
Assinantes demais serviços: 2,5 milhões
Audiência: 109 milhões de usuários únicos/mês, segundo a Comscore


Nessa lista entra, por exemplo, a compra da Ciatech, que fundamentou a unificação de várias empresas do setor de educação, em 2017, no UOL EdTech, um dos outros três braços de negócios do Grupo UOL.

Trata-se, hoje, da maior empresa do segmento, plataforma especializada em adaptar formatos para aprendizagem digital, de empresas e escolas.

Antes dela, a compra da gaúcha Compasso, que hoje dá nome à unidade de desenvolvimento de softwares e soluções digitais. Além, claro, da mais rentável, a PagSeguro, de 2006.

“A base do sucesso foi democratizar o acesso a serviços financeiros. E colocar o banco para funcionar no celular foi chegar onde as pessoas mais pobres podiam usar internet. Criar a maquininha com chip”, diz Ricardo Dutra, no grupo desde 1997 e atual presidente da agora PagSeguro PagBank.

O sucesso está na atenção máxima dada aos seus clientes e no investimento em tecnologia para poder escalar. Vi isso em 97, na criação do UOL, e no PagSeguro depois

Ricardo Dutra

presidente do PagSeguro PagBank; já presidiu o UOL Conteúdo e Serviços

“Crescemos porque não precisamos tirar clientes de quem já tinha, criamos um novo mercado, demos acesso para uma maioria excluída”, continua. O exemplo: um vendedor de coco da praia que só podia vender com dinheiro e não tinha como pagar aluguel das máquinas.

E os autônomos continuam sendo a maior parte da base dos 9,7 milhões de clientes do PagSeguro PagBank, que hoje vale mais de US$ 15 bilhões na Bolsa de Valores de Nova York, onde tem seu capital aberto.

Aliás, crescimento forte, na casa de dois dígitos, é anotado pelo quarto braço do grupo, o UOL EdTech. Entre outras coisas, tal desempenho motivou, no fim de 2020, investimento inédito do SoftBank. Com isso, foi fechada a aquisição da Passei Direto. Deve ser a primeira de outras.

Quem tem ensino superior, no Brasil, ganha 235% mais do que aqueles que não têm. Dar mais acesso à educação é permitir a redução do abismo salarial no país. Como faz isso, com o tamanho do Brasil? Tem que passar por tecnologia

Alex Augusto

presidente do UOL EdTech

“Nossa geração está vivendo a década mais profunda e dramática de mudança e revolução na educação. Se tem um mercado forçadamente acelerado na pandemia, foi esse”, define o presidente do UOL EdTech, Alex Augusto.

Para ele, EAD não pode mais significar Educação a Distância, termo do passado, e sim Experiência de Aprendizagem Digital. "O paradigma hoje é o do tempo, não o da distância. Eu escolho a EAD porque eu não tenho tempo, não porque eu estou longe."

E dar mais educação, reforça Augusto, é a única forma de permitir a redução do abismo salarial. “Como faz isso, com o tamanho do Brasil? Tem que passar por tecnologia.”

“Quem tem ensino superior, no Brasil, ganha 235% mais do que aqueles que não têm. Já os com alguma especialização ganham 449% a mais”, diz ele, ao citar estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) do fim de 2020.

Sobre o ensino técnico, tão importante para o mercado profissional no Brasil, Alex informa que estão incubando projetos. "Há muitos desafios, como o de legislação. Antes da pandemia, telemedicina não podia, agora pode. O Brasil vai se adaptar”, aposta.

25 anos de história do UOL

Momentos marcantes da trajetória do grupo

  • 28.abr.1996

    Nasce o Universo Online, que oferece conteúdo e acesso à internet

  • 1998

    Mudança de logomarca para a sigla UOL

  • 2002

    UOL transmite o primeiro jogo da seleção brasileira pela internet

  • 2005

    UOL estreia na Bovespa e abre capital

  • 2006

    É criado o PagSeguro

  • 2008

    Lançamento do UOL Host, voltado para negócios digitais de empresas

  • 2010

    UOL e Folha fazem po 1º debate presidencial exclusivo para a internet

  • 2010

    Nasce o UOL Diveo, que deteve o maior datacenter da América Latina

  • 2011

    UOL recompra ações para fechar seu capital

  • 2013

    PagSeguro lança leitor de cartões para recebimento de pagamentos

  • 2015

    Lançamento da Moderninha, máquina para pagamentos com chip

  • 2017

    Unificação de várias empresas de educação no UOL EdTech, maior empresa do segmento do país

  • 2018

    Lançamento do Universa, plataforma que unifica conteúdo para e sobre mulheres

  • 2018

    PagSeguro abre capital em NY, no maior IPO de uma empresa brasileira nos EUA

  • 2019

    UOL lança quatro novas plataformas: ECOA (jornalismo propositivo), Start (games e eSports), Tilt (tecnologia) e MOV (produtora de vídeos)

  • 2019

    PagSeguro lança o PagBank, banco 100% digital

  • 2020

    UOL Diveo vende datacenters e vira Compasso UOL, focada no desenvolvimento de software

  • 2020

    Estreia o UOL Play, serviço de streaming de vídeos sob demanda e ao vivo

  • 2021

    UOL completa 25 anos, olhando para produção de vídeo e monetização de conteúdo

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