The New York Times ultrapassa 7,8 milhões de assinantes, mas crescimento desacelera

Veículo registrou 301 mil novas assinaturas digitais no primeiro trimestre; lucros superam as expectativas de Wall Street

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​Edmund Lee
The New York Times

A posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos sem dúvida reduziu a temperatura do país depois de quatro anos sob o governo de Donald Trump, um período tumultuoso coroado pela pior pandemia em um século.

A chegada de Biden pode também ter reduzido o interesse por notícias. No primeiro trimestre de 2021, a The New York Times Co. registrou seu menor avanço em número de novos assinantes dos últimos 18 meses.

A companhia anunciou na quarta-feira (5) que atingiu um total de 7,8 milhões de assinantes, em suas plataformas impressa e digital, com 6,9 milhões de assinantes para suas notícias online e os apps de culinária e games do grupo. A empresa conquistou 301 mil novos assinantes digitais nos três primeiros meses do ano, o menor avanço desde o terceiro trimestre de 2019.

A The New York Times Co. continua a caminho de atingir sua meta de 10 milhões de assinantes em 2025, e melhorou sua margem de lucro, já que as operações digitais –cujos custos são inferiores aos da mídia impressa– continuam a crescer.

Prédio do The New York Times na cidade de Nova York, - Angela Weiss - 30.jun.20/AFP

A companhia anunciou um lucro operacional ajustado de US$ 68 milhões, 54% acima do resultado do período no ano passado, e gerou mais receita por assinante, em parte por conta do fim de promoções que ofereciam preços reduzidos, com a virada do ano. A receita total subiu ligeiramente, em cerca de 6,6%, para US$ 473 milhões. As assinaturas online e a publicidade digital subiram em 32%, somadas, para US$ 239 milhões, e as operações em mídia impressa mantiveram sua tendência firme de declínio.

Pela primeira vez, a companhia anunciou o número de leitores que define como usuários registrados –100 milhões. Os usuários registrados têm direito a ler um número limitado de artigos gratuitos por mês, mas devem pagar pelos artigos que excedam sua cota.

A The New York Times Co. acredita que sua lista de assinantes das newsletters que distribui represente uma oportunidade de adquirir novos leitores pagantes. Cerca de 15 milhões de pessoas leem algum das muitas newsletters que a empresa publica a cada semana. The Morning, a principal delas, tem 5 milhões de leitores por dia.

Em um comunicado no qual anunciou os resultados da companhia, Meredith Kopit Levien, a presidente-executiva da The New York Times Co., disse que sua grande base de usuários “sustenta nossa convicção de que seja possível elevar as assinaturas pagas de modo substancial e lucrativo, ao longo do tempo”.

A empresa cumpriu as expectativas quanto a vendas de assinaturas, com um crescimento de 15%, para US$ 329 milhões. As assinaturas digitais subiram 38%, para US$ 179,6 milhões. A surpresa veio da publicidade, que registrou queda de 8,5%, para US$ 97 milhões. A companhia havia previsto uma queda duas vezes mais alta no volume de publicidade.

Durante o trimestre, houve uma alta inesperada nas vendas de publicidade digital, da ordem de 16,3%, para US$ 59,5 milhões, em geral associada à venda de mais anúncios em formato “banner” e de mais comerciais em podcasts.

A alta também está vinculada aos dados em primeira mão de que a The New York Times Co. dispõe sobre seus leitores.

A companhia pode aproveitar seu banco de dados sobre assinantes para direcionar publicidade. Isso significa que ela não depende de softwares de rastreamento fornecidos por terceiros, que estão caindo em desuso por conta da preocupação mais forte com a proteção da privacidade. A Apple, por exemplo, acaba de atualizar seu software para tornar mais difícil rastrear usuários por meio dos apps em seus iPhones, uma mudança que não afetará as operações publicitárias do New York Times.

Os custos operacionais subiram ligeiramente, para US$ 421,4 milhões, ou pouco mais de 1% ante os custos do período em 2020. A empresa gastou menos com viagens e entretenimento por conta da pandemia, mas contratou mais pessoal. Os custos gerais e administrativos subiram em 7%, para US$ 56,6 milhões.

Para o trimestre em curso, a companhia projeta alta de 15% em sua receita com assinaturas, ante o período em 2020. A receita obtida dos assinantes digitais deve subir em 30%, segundo a empresa. Isso representaria uma desaceleração ante 2020, um ano em que o jornal The New York Times ganhou muitos leitores. Foi um dos ciclos noticiosos mais intensos na história recente.

O país foi abalado pela pandemia do coronavírus, viu a ascensão de um movimento pela justiça social depois que George Floyd foi morto pela polícia, e votou em uma eleição presidencial muito contenciosa.

Em conversa telefônica com analistas depois do anúncio de resultados, Levien disse que 2020 foi um ano que viu “demanda sem precedentes pelo jornalismo do The New York Times”. O crescimento de assinaturas este ano, portanto, será mais baixo em termos comparativos. Ao mesmo tempo, ela acrescentou, “estamos confiantes em que existe amplo interesse por notícias. Não creio que o mundo esteja se tornando menos interessante. E não creio que esteja ficando menos complexo”.

A publicidade deve se recuperar fortemente. A companhia estima alta de 55% a 60% ante o ano passado, quando o investimento publicitário foi severamente cortado em função da pandemia. A publicidade digital deve crescer ainda mais, em torno de 70% a 75%. Os custos também devem subir, porque a companhia planeja gastar mais dinheiro com marketing a fim de atrair novos anunciantes. Os investimentos de capital podem atingir os US$ 50 milhões neste trimestre.

A companhia cresceu ao investir no desenvolvimento de podcasts, televisão e filmes. O número total de ouvintes de seus podcasts, entre os quais The Daily, cresceu em 30% no primeiro trimestre, ante o ano anterior, em boa medida pelo acréscimo de novos podcasts.

A The New York Times Co. está negociando com a NewsGuild, organização sindical que presenta 1,4 mil empregados de sua redação. O sindicato quer salários e benefícios maiores, e uma estrutura mais bem definida para melhorar a diversidade e a inclusão. Um novo contrato coletivo pode causar custos mais altos para a companhia.

Em abril, a NewsGuild pediu que a empresa reconhecesse um sindicato recentemente formado por trabalhadores de sua área digital e de tecnologia. Em um email enviado aos empregados da companhia em 22 de abril, Levien recusou o pedido, para todos os efeitos, afirmando que os empregados teriam de realizar uma votação formal. Representantes do sindicato replicaram que a votação já havia acontecido, na prática, quando a maioria dos trabalhadores da área de tecnologia optou por se filiar ao novo sindicato.

As reservas de caixa da companhia continuam altas –mais de US$ 890 milhões– e seu fluxo de caixa livre –uma medida do poderio financeiro da empresa– subiu firmemente nos três últimos anos. Em 2020, a média do fluxo de caixa livre foi de US$ 65 milhões por trimestre, de acordo com dados compilados pela S&P Capital IQ.

A The New York Times Co. também vem elevando seus pagamentos de dividendos aos acionistas, em intervalos de alguns anos. Agora, a companha paga sete centavos de dólar por ação em dividendo a cada trimestre, o que representa um custo de US$ 4,68 milhões por ano. Os pagamentos beneficiam a família Ochs-Sulzberger, que controla o The New York Times.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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