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Apollo compra Yahoo e outros ativos de mídia da Verizon por US$ 5 bi

Acordo encerra tentativa fracassada da operadora de telefonia móvel dos EUA na área de conteúdo digital

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James Fontanella-Khan Mark Vandevelde
Nova York | Financial Times

O grupo de private equity americano Apollo Global Management comprou nesta segunda-feira (3) o Yahoo e outros ativos de mídia da Verizon por US$ 5 bilhões (R$ 27 bilhões). A operação ocorre conforme o grupo de telecomunicações busca mudar de foco e se concentrar em suas operações básicas de rede e no desenvolvimento de sua tecnologia de telefonia 5G.

A Apollo, que tem feito uma série de aquisições nos últimos meses, acredita que poderá fazer um trabalho melhor do que a Verizon para transformar a nova empresa em uma mídia digital forte e um grande player de tecnologia de publicidade num momento em que mais investimentos no setor estão sendo direcionados para a internet.

“Acreditamos fortemente nas perspectivas de crescimento do Yahoo e nos grandes ventos que impulsionam o crescimento de mídia digital, tecnologia de publicidade e plataformas de internet para o consumidor”, disse David Sambur, codiretor da Apollo.

Logo da Verizon em Washington, D.C., nos Estados Unidos - Alastair Pike - 3.mai.21/AFP

Segundo o acordo, a Verizon manterá uma participação de 10% na nova empresa de mídia, que se chamará Yahoo. A venda representa uma reversão dramática para a operadora americana de telefonia móvel, que entre 2015 e 2017 investiu cerca de US$ 9 bilhões (R$ 48,6 bilhões) para adquirir o Yahoo e a AOL como propriedades centrais de uma divisão de mídia online que adotou o nome Oath.

A estratégia refletia uma postura que costumava ser compartilhada pelas maiores empresas mundiais de telecomunicações no passado. Ao se tornarem proprietárias de conteúdo, elas buscavam se beneficiar da explosão no consumo mundial de mídia em vez de funcionarem apenas como operadoras de redes.

Netflix e Amazon construíram grandes operações de mídia online a fim de atender à demanda dos consumidores por conteúdo em vídeo, e companhias de mídia como a Disney e a ViacomCBS correram para adaptar seus negócios à mudança de hábitos dos consumidores, construindo plataformas de streaming para seus negócios.

Mas as companhias de telecomunicação, em geral, encontraram dificuldades para se estabelecer como criadoras e controladoras de programação distribuída por meio de suas redes de comunicação móvel ou fixa.

Os problemas da Verizon não são únicos. Sua maior rival, a AT&T, adquiriu a Time Warner, controladora da CNN, HBO e Warner Brothers, por US$ 85,4 bilhões (R$ 461,4 bilhões), em 2016, para criar um negócio de streaming capaz de enfrentar a Netflix.

A estratégia até o momento não foi um sucesso completo. A AT&T contabilizou prejuízo de US$ 15,5 bilhões (R$ 83,7 bilhões) em suas operações de TV paga, em janeiro, com a transição dos clientes da TV a cabo e por satélite para plataformas de streaming.

A Verizon também esperava criar uma plataforma de conteúdo e marketing que permitiria que concorresse com o Google e o Facebook. Mas não foi capaz de conquistar uma fatia de mercado significativa de seus rivais, o que a forçou a reconsiderar sua estratégia mais ampla, disse uma pessoa diretamente informada sobre o assunto.

Ao falar sobre a venda, Hans Vestberg, executivo-chefe da Verizon, afirmou que a Apollo proveria os recursos necessários e investimentos para o Yahoo crescer. "Durante o processo estratégico de revisão, a Apollo apresentou a visão e a estratégia mais fortes para a próxima fase da Verizon Media. Eu tenho total confiança de que o Yahoo vai decolar em sua nova casa."

A venda dos ativos de mídia sublinha, de modo ainda mais firme, a decisão da Verizon de concentrar-se na expansão de seus serviços de internet 5G, que atendiam a mais de 230 milhões de pessoas em mais de 2.700 cidades dos Estados Unidos, em dezembro do ano passado.

A Verizon contabilizou prejuízo de US$ 4,6 bilhões (R$ 24,8 bilhões) em suas operações de mídia durante 2018, depois que as marcas controladas por ela “passaram a sofrer pressão competitiva e de mercado crescente (...) o que resultou em receita e lucros interiores aos esperados”, informou a empresa em um relatório encaminhado às autoridades financeiras.

“Essas pressões devem continuar e resultaram em uma perda de posição de mercado diante de nossos concorrentes no negócio de publicidade digital”, prosseguia o relatório.

A Verizon também “obteve benefícios inferiores aos esperados de sua integração com... o Yahoo e a AOL”, a empresa afirmou.

Traduzido originalmente por Paulo Migliacci

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