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Airbus acirra disputa com Qatar Airways e cancela entrega de 50 jatos

Companhias discutem por causa de jatos A350 danificados, pelos quais aérea quer ser indenizada

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Tim Hepher
Paris | Reuters

A Airbus aumentou na última quinta-feira (20) as apostas em uma disputa com a Qatar Airways , importante cliente da empresa, sobre jatos A350 estacionados e não entregues, anunciando que revogou outro contrato de 50 jatos menores A321neo que a companhia aérea pretende usar em novas rotas.

A medida amplia uma disputa que se aproximou de um raro choque em tribunal no dia 20, sobre um pedido da Qatar Airways de mais de US$ 600 milhões em indenização por falhas no A350. Uma audiência processual está marcada para a semana de 26 de abril em Londres.

A Airbus revelou que estava desistindo do contrato dos A321neo em discussões apresentadas numa sessão de agendamento sobre a disputa dos A350 em uma divisão da Suprema Corte britânica, segundo pessoas inteiradas da questão.

Um Airbus A350 da Qatar Airways em Singapura - Edgar Su - 18.fev.2016/Reuters

"Confirmamos que cancelamos o contrato para entrega de 50 A321 com a Qatar Airways de acordo com nossos direitos", disse um porta-voz da Airbus depois de um registro definindo argumentos provisórios, antecipado pela Bloomberg News.

No mesmo dia do anúncio do cancelamento, a Qatar Airways intensificou a disputa ao divulgar um vídeo mostrando danos aparentes na superfície de sua aeronave Airbus A350.

A empresa deverá lutar contra o término do contrato dos A321neo dizendo que ainda planeja receber os jatos, embora esteja se recusando a pegar mais modelos A350 até que seja resolvida uma disputa sobre desgaste superficial nos jatos maiores.

A companhia aérea disse em um registro no tribunal que está "elucidando as consequências práticas" da decisão sobre os A321, acrescentando que a Airbus não tem o direito de declarar uma "moratória cruzada" com base na recusa da Qatar em aceitar mais A350 na disputa principal.

Captura de tela de vídeo postado pela Qatar Airways que mostra condições de um Airbus A350 - Qatar Airways via REUTERS

A Qatar Airways não tinha comentários imediatos sobre o contrato, que tem origem em uma encomenda feita há dez anos no valor de US$ 4,6 bilhões (R$ 25,3 bilhões) a preços de tabela, originalmente para uma versão menor.

A Qatar Airways disse que os A321 vão ajudá-la a lançar voos para novos mercados onde não há atualmente demanda suficiente para aeronaves maiores, mas que estão fora do alcance dos A320 menores.

O primeiro A321neo da Qatar deverá ser entregue em fevereiro de 2023, segundo o documento da companhia. Especialistas da indústria dizem que o modelo de alta vendagem pode ser facilmente revendido, em contraste com a queda na demanda por jatos grandes como o A350, agravada pela pandemia.

Disputa paralisante

As duas companhias estão em disputa há meses pelos danos aos A350, incluindo bolhas na pintura, rachaduras em caixilhos de janelas ou áreas com rebites e desgaste de uma camada protetora contra raios elétricos.

A Qatar Airways disse que seu regulador nacional ordenou que 21 de seus 53 jatos A350 parassem de voar quando os problemas surgiram, provocando uma disputa amarga com a Airbus, que disse reconhecer os problemas técnicos, mas que não há problema de segurança.

A Qatar Airways quer US$ 618 milhões (R$ 3,4 bilhões) em indenização pelos 21 jatos estacionados, mais US$ 4 milhões (R$ 22 milhões) por dia enquanto a disputa se arrasta. O desenvolvimento do A321 poderá aumentar essa reivindicação.

Imagem sem data mostra o que parece ser pintura descascada, rachaduras e folha de cobre expandida exposta (ECF) na fuselagem de uma aeronave Qatar Airways A350 aterrada pelo regulador do Catar - Reuters/Arquivo

A transportadora do Golfo também está pedindo que juízes britânicos ordenem que a Airbus, sediada na França, não tente entregar mais desses jatos até que seja resolvido o que ela chama de defeito de projeto.

A Airbus disse que vai "negar totalmente" a queixa e acusou a Qatar Airways, um de seus clientes mais cortejados, de classificar erroneamente o problema como uma preocupação de segurança.

Ela indicou que vai afirmar que a estatal Qatar Airways influenciou seu órgão regulador para imobilizar os jatos e obter indenização, enquanto a Qatar questionou o design e acusa a Airbus de não apresentar estudos, disseram as fontes.

A Qatar Airways disse que seu regulador local está conduzindo decisões de segurança de forma independente e não pode avaliar a validade dos jatos afetados sem uma análise mais profunda da Airbus.

A Agência de Segurança na Aviação da União Europeia, que é responsável pelo projeto geral, mas não a navegabilidade dos aviões em serviço, regulada localmente, disse que até agora não encontrou problemas de segurança nos A350 que inspecionou.

O Catar é até agora o único país a estacionar alguns dos jatos.

Mas uma investigação da Reuters em novembro revelou que pelo menos outras cinco companhias descobriram falhas na pintura ou na superfície desde 2016, levando a Airbus a criar uma força-tarefa interna antes da disputa com o Catar, e a explorar um novo design antirraios para o A350.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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