Estudantes organizam passeatas midiáticas pelo controle de armas nos EUA

Secundaristas programam atos por todo o país para chamar atenção para chacinas nas escolas

Sequência de dez páginas mostra diferentes cartazes contra o controle de armas nos EUA
Ativistas pelo controle de armas nos EUA publicam em página do Instagram exemplos de cartazes para pintar para as pessoas que desejem participar de manifestações fora de Washington - Repdrodução/Instagram
Estelita Hass Carazzai
Washington

"Não atire."

São essas as palavras em caixa alta num "livro de colorir" para redes sociais —uma das ferramentas pouco convencionais para divulgar as passeatas de estudantes programadas para este sábado (24), que devem reunir milhares de pessoas a favor do controle de armas nos EUA.

O evento foi convocado pelos sobreviventes do ataque a tiros na Marjory Stoneman Douglas, escola de ensino médio na Flórida onde 17 pessoas morreram em fevereiro.

Foi nas redes sociais que a mobilização de adolescentes começou e conquistou alcance inédito para o tema nos EUA, onde o porte de armas é protegido pela Constituição.

Os estudantes ganharam apoio logístico de organizações como a Everytown for Gun Safety, fundada pelo ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, e a Giffords Courage, criada por uma sobrevivente de chacina.

A assessoria de imprensa (que se diz "sobrecarregada" com pedidos) é feita por uma agência de Nova York, e todos os custos são pagos com doações pela internet, que já atingiram US$ 3,3 milhões.

Para o ato deste sábado, um "manual" para ampliar a mobilização nas redes sociais foi distribuído aos organizadores de aproximadamente 800 marchas pelo país.

Entre as orientações estão publicar fotos da multidão para mostrar escala, divulgar cartazes engraçados ou comoventes e dividir tarefas entre a equipe, como obter licença legal e fazer transmissão ao vivo do evento, chamado de March for Our Lives (marcha pelas nossas vidas).

"Queremos mostrar ao mundo a escala do movimento", diz o manual. Fotos e vídeos devem ter a hashtag #MarchForOurLives. "[Isso] Ajuda a inserir sua marcha no debate nacional e mostra que há energia contra a violência das armas em todo lugar."

O livro de colorir é distribuído pela internet. Os desenhos, que incluem um fuzil sob o símbolo de proibido e frases como "Nunca mais" e "Armas matam", aparecem sob fundo cor de creme, no formato de uma tela de celular, para serem coloridos digitalmente e veiculados na rede de compartilhamento de fotos Instagram.

"Adicione emoticons ou frases e faça seu post de protesto", sugere o manual.

LOCAIS

O protesto também ganhou as ruas e mobilizou voluntários, em especial em Washington, onde são esperadas 500 mil pessoas.

Na casa de Anita Ayerbe, 53, a mesa está repleta de pacotes de papel. São lanches que ela vem preparando há duas semanas para entregar aos participantes no sábado.

Ayerbe hospedará uma estudante de Massachusetts em sua casa, onde moram seus dois filhos de 17 e 14 anos, que estarão na marcha.

"Conhece a fábula do 'rei está nu'? Às vezes é preciso que as crianças nos mostrem a verdade óbvia. E a verdade é que as armas estão fora de controle no nosso país", diz.

Ayerbe integra uma iniciativa de mães da região para abrigar estudantes no fim de semana. Cerca de 1.500 pessoas se cadastraram (460 estudantes se inscreveram).

A Primeira Igreja Batista de Washington, no centro da capital, também abrigará um grupo de alunos da Carolina do Norte. Em frente ao templo, foi pendurada uma faixa com o símbolo da Marjory Stoneman Douglas e as palavras "ore, ame, aja". "É nossa forma de dizer que isso não é normal", diz a pastora Julie Pennington-Russell.

A marcha deve começar às 13h de sábado (hora de Brasília). No Brasil, a comunidade americana programa uma manifestação pela manhã, em frente ao Consulado dos EUA em São Paulo.

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