Descrição de chapéu Governo Trump

Pergunta sobre cidadania no Censo dos EUA pode redefinir Congresso

Medida de Trump inibiria participação de imigrantes e reduziria peso de estados democratas

Nova York

A pergunta, simples, tem poder de gerar reações inflamadas: você é cidadão americano? É o que o Censo de 2020 quer saber. Nos EUA de Donald Trump, essas palavras não soam inócuas.

Assim como no Brasil, o Censo previsto na Constituição americana é realizado a cada década desde 1790. O objetivo é estimar a população. Os dados são usados para definir a representatividade de cada distrito na Câmara. Por isso, o questionário não é aplicado somente a cidadãos. Distritos com população maior recebem mais assentos e mais recursos federais.

Nova York é um exemplo do impacto do Censo. O estado perdeu dois representantes após ser redesenhado como resultado da pesquisa de 2010. 

“Se você está num distrito do Arizona e tem 8.000 pessoas que não respondem ao censo, o estado pode perder um assento”, estima Benenson.

O efeito é maior em lugares com fatia elevada de imigrantes, como Nova York e Califórnia —estados que tendem a eleger deputados democratas.

“Se você quer provocar desvantagem a lugares com imigrantes, essa é uma forma.” “Mesmo se os dois partidos perderem ali, os republicanos ganham um assento em outro lugar com menos migrantes.”

Ainda assim, o impacto continua sendo bipartidário, afirma Angela Manso, diretora da Naleo, associação apartidária. Mesmo áreas que votam majoritariamente em democratas têm moradores republicanos.

“Quem acha que só vai prejudicar um grupo não entende como o Censo funciona.”

O redesenho dos distritos ameaça reduzir os recursos federais a essas áreas, fazendo com que empobreçam. “Você tem comunidades com o mesmo tamanho, mas o financiamento federal não chega, pois o dinheiro leva em conta o número de pessoas”, diz Manso.

“É problemático em áreas que precisam de escolas, estradas. Terão que viver com esse dinheiro por dez anos”, diz, lembrando que o próximo Censo só viria em 2030.

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