Alemanha prende suspeitos de ataque a imigrantes durante atos fascistas

Detidos perseguiram estrangeiros em Chemnitz e planejavam atacar políticos, diz promotoria

Reuters

A polícia alemã deteve nesta segunda-feira (1) seis homens suspeitos de participarem de uma organização de extrema direita que perseguiu estrangeiros na cidade de Chemnitz e planejou ataques a políticos e funcionários públicos, afirmou a promotoria federal.

Cerca de cem policiais de unidades especiais de comando prenderam os suspeitos, que têm entre 28 e 30 anos, usando mandados expedidos pela Corte Federal de Justiça no último dia 28.  ​

Manifestantes de extrema-direita em Chemnitz, na Alemanha, no dia 27 de agosto
Manifestantes de extrema direita em Chemnitz, na Alemanha, no dia 27 de agosto - Matthias Rietschel-27.ago.2018/Reuters

Os suspeitos são acusados de criar a organização “Revolução Chemnitz” após migrantes terem sido culpados por esfaquearem um alemão em agosto. O episódio desencadeou a pior onda de violência de extrema direita na Alemanha em décadas.

“Com base em informações que temos até agora, os suspeitos pertencem à cena hooligan, skindhead e neonazista na área de Chemnitz e se consideram os líderes do extremismo de direita na Saxônia”, afirmam os promotores.

O grupo planejou atacar servidores públicos de alto escalão e políticos, afirmam. “No curso das investigações, encontramos indicações tangíveis de que a organização tinha objetivos terroristas.”

Um sétimo suspeito, que acredita-se ser o líder do grupo, foi detido no dia 14 de setembro sob a acusação de perturbar a paz pública. A promotoria não disse se foi sua prisão que levou à descoberta da organização e de seus outros membros.

Um juiz vai definir se os sete integrantes da “organização criminosa” permanecerão sob custódia.

Os protestos de extrema direita em Chemnitz, cidade de cerca de 250 mil habitantes próxima da fronteira com a República Tcheca, começaram após a morte de um carpinteiro alemão de 35 anos no dia 26 de agosto. A polícia divulgou poucos detalhes sobre o episódio, dizendo apenas que ele foi esfaqueado após uma discussão com migrantes.

As manifestações do dia seguinte à morte do alemão se tornaram violentas, com grupos de skinheads filmados perseguindo pessoas com aparência de estrangeiras nas ruas. Um dia depois, outro protesto mais cheio tomou as ruas.

No fim de semana seguinte, a cidade foi tomada por atos pró eantifascistas, cada um com cerca de 4 mil participantes.

As tensões fervilhantes sobre imigração, identidade, raça e religião têm corroído a Alemanha desde que Merkel permitiu a entrada de mais de 1 milhão de migrantes no auge da crise dos refugiados.

Isto deu força à ascensão da Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido de direita nacionalista que conquistou 92 assentos parlamentares nas eleições do ano passado e hoje é o maior partido de oposição no Bundestag. Essas tensões explodiram em Chemnitz.​

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