Trump nega estar acobertando sauditas por desaparecimento de jornalista

Presidente diz ter pedido à Turquia áudio e vídeo que comprovem morte de Jamal Khashoggi

Washington | Reuters, AFP e Associated Press

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que não está acobertando a Arábia Saudita pelo caso do desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Autoridades turcas dizem que Khashoggi foi morto durante visita ao consulado  saudita em Istambul. 

Na terça, Trump havia criticado a imprensa pelo que chamou de pressa em acusar o regime saudita de assassinato. Antes, havia dito que "matadores de aluguel" poderiam ser responsáveis pela morte do jornalista. 

Trump afirmou que os EUA requisitaram à Turquia por áudios ou vídeos que autoridades turcas dizem ter e que provam a tortura e o assassinato de Khashoggi, "se eles existirem".

Em entrevista à Fox Business Network, Trump falou que não quer se afastar da Arábia Saudita apesar do aumento da pressão internacional em torno do caso.

"Não quero fazer isso", afirmou, reiterando que não acredita que líderes sauditas estejam envolvidos no desaparecimento de Khashoggi. "Francamente, eles têm um enorme pedido [de armas] de US$ 110 bilhões."

"São 500 mil empregos. É o maior pedido na história de nosso país de um Exército estrangeiro, e vamos a abandoná-lo?", afirmou.

"Precisamos da Arábia Saudita para a luta contra o terrorismo, tudo o que acontece no Irã e outros lugares", acrescentou. 

Nesta quarta, jornais turcos e americanos publicaram detalhes macabros do que teria acontecido com Khashoggi dentro do consulado, com base em áudios feitos no local. 

Segundo esses relatos, o jornalista foi morto minutos após entrar no consulado, dentro do escritório do cônsul-geral.

O cônsul-geral saudita, Mohammed al-Otaibi, pode ser ouvido na gravação, dizendo àqueles supostamente torturando Khashoggi: "façam isso lá fora, vocês vão me colocar em apuros". 

A resposta, segundo o relato, foi: "Cale a boca se você quiser continuar vivo quando voltar à Arábia".

De acordo com o Middle East Eye, Khashoggi foi então levado para outra sala, onde o especialista forense saudita Salah Muhammad al-Tubaigy teria começado a cortar o corpo em cima de uma mesa com o jornalista ainda vivo. 

Al-Tubaigy teria colocado fones de ouvido para ouvir música enquanto começa o esquartejamento, encorajando outras pessoas a fazer o mesmo. 

De acordo com o New York Times, dos 15 sauditas identificados pela imprensa turca como parte do grupo que atuou no assassinato do jornalista, quatro são ligados ao príncipe herdeiro.

Segundo a imprensa turca, Al-Otaibi deixou ontem a Turquia em direção a Riad. 

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