Confrontos durante reunião do governo espanhol em Barcelona deixam 62 feridos

Encapuzados lançaram pedras e garrafas contra os policiais, que responderam com balas de borracha

Policial persegue manifestante separatista em Barcelona - Susana Vera/Reuters
Barcelona | AFP

​Um dia depois de retomar o diálogo com os líderes regionais, o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reuniu-se nesta sexta-feira (21) em Barcelona, sob um forte dispositivo policial e cercado por muitos protestos de separatistas radicais, que cruzaram várias vias na Catalunha.

"O que viemos fazer aqui é um ato de afeto, de apreço pela Catalunha" e por Barcelona, declarou a porta-voz do Executivo socialista, Isabel Celaá, ao final do conselho de ministros.

Com lemas como "seremos ingovernáveis", diversos grupos independentistas convocaram atos para bloquear Barcelona e tentar impedir o que consideram uma "provocação" de Sánchez. Ele assumiu o poder em junho, prometendo um apaziguamento da crise catalã.

Além das manifestações pacíficas, houve confrontos entre separatistas e a polícia, resultando em 13 prisões e 62 feridos, 35 deles agentes, segundo as autoridades regionais. 

Manifestantes encapuzados lançaram pedras, garrafas e petardos contra os policiais. Em um dos incidentes, os agentes responderam com balas de borracha.

Pedro Sanchez, premiê espanhol (à esq.) com o presidente da Catalunha, Quim Torra, em Barcelona - Manu Fernandez/Associated Press

Durante o dia, os chamados Comitês de Defesa da República (CDR) cruzaram várias estradas na Catalunha, e à tarde 40 mil independentistas ocuparam o Paseo de Gracia de Barcelona, com o lema "Derrubemos o regime". No meio da multidão, enormes letras amarelas e brancas formavam as palavras "Freedom" (liberdade) e "Peace" (paz).

Faz tempo que "deveríamos ter dado um murro em cima da mesa, parado o país (economicamente, em referência a Catalunha). Nós não temos armas, a única coisa que podemos fazer é tocar no bolso deles", disse à AFP Joan Ventura, aposentado de 72 anos que participou da manifestação.

A reunião do governo acontece um ano depois de que eleições regionais revalidaram a maioria separatista no Parlamento regional, dissolvido em outubro de 2017 pelo governo conservador de Mariano Rajoy após uma declaração unilateral de independência.

O conselho de ministros começou pouco depois das 10h (7h de Brasília) no palácio de Llotja de Mar, perto do litoral mediterrâneo.

Nele foram aprovadas duas medidas para o próximo ano, que serão adotadas por decreto: um aumento de 22% do salário mínimo e de 2,25% do salário dos funcionários públicos.

Uma primeira pessoa foi detida em uma avenida da cidade com material "que pode ser utilizado para a fabricação de artefato incendiário, ou explosivo", de acordo com a polícia catalã, os Mossos d'Esquadra.

Um forte esquema de segurança foi montado para proteger o local do encontro, com várias barreiras erguidas a centenas de metros do edifício para manter os manifestantes afastados.

Manifestantes com a bandeira da Catalunha durante protesto em Barcelona - Emilio Morenatti/Associated Press

A imagem contrasta com a reunião de quinta-feira entre Sánchez e o presidente da região da Catalunha, o independentista Quim Torra.

O encontro entre os dois terminou com um comunicado conjunto, no qual os dois governos se comprometem a "um diálogo efetivo" para "avançar em uma resposta democrática às demandas dos cidadãos da Catalunha, no âmbito da segurança jurídica".

Durante o encontro, celebrado em um elegante palácio de Barcelona após dias de negociações sobre o formato, os dois Executivos concordaram em prosseguir os contatos com outra reunião em janeiro.

"Cabe a todos nós abrir uma nova etapa", afirmou Sánchez posteriormente, em um jantar com empresários, onde voltou a encontrar Torra.

O encontro foi criticado pela oposição conservadora. Pablo Casado, líder do Partido Popular, criticou Sánchez por tratar Torre "praticamente como um chefe de Estado" e disse ter sentido "vergonha".

Nas ruas, os ânimos também se voltaram contra o Executivo separatista catalão por este diálogo que, segundo foi anunciado, continuará em janeiro.

"O diálogo para mim é um passo para trás. Agora não é o momento de tentar dialogar, esse momento já passou. Parece-me que se tratou apenas de uma encenação para acalmar os ânimos para hoje", declarou a manifestante Mariona Godia, de 35 anos.

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