EUA vão realizar exames em crianças migrantes após segunda morte

Órgão do governo anuncia que irá realizar exames médicos em todas as crianças sob custódia

Washington | AFP

A Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) anunciou que fará exames médicos em todas as crianças sob sua custódia, após a morte de Felipe Alonzo Gomez, um menino guatemalteco de oito anos, que morreu nesta terça-feira (25).

O cônsul da Guatemala em Phoenix, Oscar Padilla, falou por telefone nesta terça-feira (25) com o pai do menino, Agustin Gomez, de 47 anos. Segundo o cônsul, Gomez afirmou que os dois estavam viajando da Guatemala rumo ao estado de Tennessee, e que o filho estava com "saúde perfeita". 

Já a Agência de Alfândega e Proteção da Fronteira disse que o menino mostrava sinais de “estar doente” na segunda-feira (24) e foi levado, junto com o pai, para um hospital em Alamogordo, cidade do Novo México. Lá, teve o diagnóstico de febre e resfriado, recebeu uma receita para o antibiótico amoxicilina e o analgésico ibuprofeno, e foi liberado após ficar 90 minutos em observação, ainda segundo a agência.

O menino foi levado de volta para o hospital no mesmo dia com náuseas e vômitos e morreu algumas horas depois. A agência afirmou que a causa da morte ainda não foi determinada e que relatou o óbito ao governo da Guatemala. 

O CBP informou na terça-feira que não havia estabelecido a causa da morte, mas que vai garantir "uma revisão independente e completa das circunstâncias".

Kevin K. McAleenan, funcionário da agência, anunciou que o órgão "vai realizar exames médicos em todas as crianças sob os cuidados e custódia" e que "revisará suas políticas, com especial atenção para o cuidado e custódia de crianças menores de 10 anos".

Ele acrescentou que o CBP considera a possibilidade de buscar apoio médico de outras agências e que está coordenando esforços com os Centros para Controle de Doenças.

 

Em nota divulgada nesta quarta-feira (26), a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen M. Nielsen, culpou os pais e traficantes de pessoas que levam as crianças ilegalmente pelas mortes de imigrantes.

“Traficantes, coiotes e os próprios pais das crianças colocam esses menores em risco ao embarcar nessa jornada perigosa e árdua”, disse.  “De novo, imploro para que os pais ponham seus filhos em perigo”, afirmou a secretária.

Nielsen também afirmou que as crianças já chegam doentes na fronteira.

“A crise está sendo exacerbada por pessoas que entram no país já sofrendo de doenças respiratórias graves ou outros problemas quando são detidos”, afirmou. Segundo ela, em 2018, seis migrantes sob custódia morreram, e nenhum deles era menor. Ela disse que nenhuma criança morreu sob custódia nos últimos dez anos.

“Está claro que migrantes, principalmente crianças, cada vez mais enfrentam problemas de saúde e doenças causadas por sua jornada longa e perigosa”.

Nos dois últimos meses, a Patrulha da Fronteira deteve 139.817 estrangeiros na fronteira sudoeste com o México, diante de 74.946 no mesmo período no ano anterior – um aumento de 86%. Nesses dois meses, foram detidas 68.510 famílias, e 13.981 menores desacompanhados.

A secretária aproveitou para pressionar por um endurecimento nas leis de imigração, medida que é criticada por democratas.

“Para aqueles no Congresso que se recusam a agir para evitar que massas humanas viajem para o norte e arrisquem a vida de seus filhos, eu peço mais uma vez que façam seu trabalho, protejam populações vulneráveis e nossa fronteira, deem aos funcionários do departamento os recursos e os poderes de que precisam para lidar com essa crise.”

INVESTIGAÇÃO

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores da Guatemala, o menino e seu pai foram detidos em 18 de dezembro após atravessarem a fronteira pela cidade de El Paso, no Texas. No dia 23, foram transferidos para Alamogordo, no do Novo México.

O governo guatemalteco pediu "uma investigação clara e respeitando o devido processo".

Em 8 de dezembro, outra criança, também guatemalteca, Jakelin Caal morreu sob custódia do governo americano, no Hospital Infantil Providence, em El Paso, de desidratação e choque séptico.

Garoto carrega foto de Jakelin Caal, que morreu sob custódia dos EUA, durante seu enterro - Johan Ordonez/AFP

Ela havia sido detida com o pai, depois de atravessar ilegalmente a fronteira na noite de 6 de dezembro.

O caso de Jakelin gerou indignação nos Estados Unidos, e uma delegação do Congresso que visitou o local onde a menina foi detida denunciou "falhas sistêmicas" no processo e condições de higiene deploráveis.

Após a morte, o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) anunciou uma investigação, cujos resultados serão apresentados ao Congresso e serão públicos.

A American Civil Liberties Union (ACLU) descreveu os eventos como uma "tragédia assustadora".

"O CBP deve prestar contas e parar de prender crianças. O novo Congresso deve ter como uma de suas primeiras prioridades conduzir uma investigação sobre o Departamento de Segurança Interna (DHS)", apontou a ONG.

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