Macron diz entender "raiva" no país, mas avisa que levará reformas até o fim

Presidente francês diz que resultados de suas políticas serão sentidos ao final de seu mandato

O presidente francês Emmanuel Macron faz discurso de Ano Novo no palácio do Eliseu, em Paris
O presidente francês Emmanuel Macron faz discurso de Ano Novo no palácio do Eliseu, em Paris - Michel Euler/Associated Press
RFI

O presidente da França disse nesta segunda-feira (31) em seu discurso de fim de ano que entende a "raiva" dos "coletes amarelos", interpretando-a como um "grito de não-conformismo". No entanto, Emmanuel Macron afirmou que não vai desistir de implementar as reformas que anunciou durante sua campanha presidencial.

Macron disse que "os resultados" dessas reformas serão obtidos no fim de seu mandato de cinco anos, e que a "falta de paciência" —que ele diz compartilhar com os cidadãos— não justifica os pedidos de demissão que tem ouvido de alguns manifestantes.

Sem mencionar especificamente os "coletes amarelos", o presidente francês disse que "as lágrimas e a raiva vêm de longe: uma raiva contra a injustiça, contra a globalização, muitas vezes incompreensível, contra um sistema muito complexo e insensível, raiva também contra as profundas mudanças que colocam em dúvida nossa sociedade e identidade".

"Essa raiva me mostrou algo: que nós não somos um povo conformista e que nosso país quer construir um futuro melhor, baseado em nossa capacidade de inovar, e de criar novas formas para trabalharmos juntos. Essa é a lição que levo de 2018", afirmou Macron.

Europa

Após um discurso que chamou de "verdadeiro" e "digno", o presidente francês apresentou um "discurso de esperança para nós mesmos, como povo, e esperança em nossa Europa". "O que nós queremos profundamente, é reencontrar o controle de nosso cotidiano e de nosso destino, para não sofrer mais", explicou.

"Recuperar o controle de nossa vida é escolher a comida que colocamos em nossos pratos, é garantir a justiça tributária, é nos proteger de nossos inimigos, é investir para inovar, é dar uma resposta comum às migrações; Acredito muito profundamente nesta Europa que pode proteger melhor as pessoas e nos dar esperança", afirmou.

"Isto também deve orientar o renovado projeto europeu, que irei propor nas próximas semanas", finalizou, referindo-se às eleições europeias de maio de 2019.

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