Descrição de chapéu Venezuela

Maduro diz que detenção de deputado foi 'show midiático' de opositores e agentes corruptos

Em discurso de balanço, ditador da Venezuela afirmou que Bolsonaro é 'Hitler dos tempos modernos'

Buenos Aires

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta segunda-feira (14) que a detenção do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, no dia anterior, havia sido um "show midiático" armado em um complô entre a oposição e agentes corruptos do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional).

Maduro fez um discurso de três horas diante da Assembleia Nacional Constituinte, que na prática substituiu a Assembleia Nacional eleita em 2015, de maioria opositora, para fazer um balanço do ano passado e apresentar sua proposta de governo para os próximos anos. O ditador assumiu um novo mandato, contestado dentro e fora da Venezuela, no último dia 10.

Homem discursa em frente a bancada
O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, discursa em sessão especial da Assembleia Nacional Constituinte chavista, nesta segunda (14), em Caracas - Palácio de Miraflores/Reuters

A maior parte da fala foi dedicada a um balanço positivo da gestão, afirmando que a pobreza e a desigualdade estão caindo e que chegarão a 0% em 2025, que o número de pensões e aposentadorias estão aumentando e que os jovens estão cada vez melhor escolarizados.

Não mencionou a falta de alimentos e remédios, tampouco a crise humanitária que já obrigou mais de 3 milhões de pessoas a fugirem do país. Ao contrário, disse estar "lutando contra a guerra econômica e o poder imperialista intervencionista dos Estados Unidos e de seus países-satélite".

Maduro voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de "Hitler dos tempos modernos". "Não tem coragem e decisão própria, porque é um títere", afirmou o venezuelano sobre o brasileiro. "Logo o povo brasileiro se encarregará dele."

Ao tomar posse, na semana passada, Maduro já havia classificado Bolsonaro como um "fascista contaminado pela direita venezuelana".

Como medidas para o ano que se inicia, anunciou apenas o aumento do salário mínimo de 4.500 bolívares (R$ 19) para 18 mil bolívares (R$ 77), a partir desta terça-feira (15), além do reajuste de alguns bônus para alimentação.

O ditador chavista anunciou no ano passado cinco aumentos do salário mínimo, o que, sem medidas adicionais, ajuda a elevar também a inflação. Segundo o FMI, a inflação chegou a 1.300.000% na Venezuela considerando o acumulado entre novembro de 2017 e novembro de 2018.

Maduro disse que está preparando novas medidas e pediu que o povo "saia às ruas para defendê-las".

Sobre o episódio da detenção do líder oposicionista, Maduro ironizou o que chamou de montagem midiática. "Que coincidência, havia uma câmera perfeitamente apontada, profissional, para gravar o momento exato em que o deputado foi detido de um modo muito estranho".

Guaidó havia se declarado presidente interino do país no dia 11, alegando que o posto está vago uma vez que a eleição de Maduro se deu de modo irregular. Sua intenção é assumir o poder e convocar eleições em 30 dias.

Ainda se referindo aos quatro agentes "traidores" do Sebin, Maduro disse que seu afastamento foi imediato. "Assim atuarei contra qualquer funcionário público que traia o juramento. A mim não vão me fazer tremer. De cada show sairemos mais fortes."

Maduro disse ainda que a economia venezuelana enfrenta "a oligarquia colombiana, as elites do poder de Washington e as máfias da Venezuela", e que isso era um crime de lesa humanidade.

Também afirmou que os dirigentes opositores "não são uma alternativa ao país, porque não têm liderança nem plano, estão cada vez pior".

A Chancelaria venezuelana emitiu um comunicado dizendo que "os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru vêm realizando declarações e comunicados em que se contradizem constantemente em relação a suas visões sobre o ordenamento jurídico venezuelano, pretendendo determinar a legitimidade das instituições da Venezuela".

O texto acrescenta que "os governos citados atuam emprestando suas vozes ao nefasto coro que seu mandante, os Estados Unidos, está dirigindo para desencadear situações de instabilidade política interna que justifiquem a intervenção estrangeira".

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