Bernie Sanders, ícone da ala socialista democrata, lança campanha às eleições de 2020

O senador de 77 anos perdeu nas prévias do partido para Hillary Clinton em 2016

O senador Bernie Sanders durante coletiva no Congresso, em Washington - Yuri Gripas - 30.jan.2019/Reuters
Danielle Brant
Nova York

O senador Bernie Sanders, de Vermont, lançou nesta terça-feira (19) sua campanha às eleições presidenciais de 2020, em que deve disputar a candidatura democrata e, se bem-sucedido, enfrentar o republicano Donald Trump, que tem aproveitado seus discursos para dizer que os EUA nunca serão socialistas.

Sanders é o mais conhecido expoente da ala socialista democrata, embora não seja membro do partido. É a segunda vez consecutiva em que ele entra na disputa pela nomeação democrata. Em 2016, ele perdeu a briga para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que acabou sendo derrotada por Trump nas eleições.

O senador de Vermont, 77, fez o anúncio em uma entrevista à rádio pública de Vermont na manhã desta terça. “Nós começamos a revolução política na campanha de 2016, e agora é hora de levar aquela revolução adiante”, afirmou.

Em email enviado a apoiadores, Sanders também falou sobre a agenda progressista iniciada três anos antes e cujas ideias, ressaltou, foram tachadas de “radicais” e “extremas”.

“Bom, três anos chegaram e passaram. E, como resultado de milhões de americanos se impondo e lutando, todas essas políticas e mais agora são apoiadas por uma maioria de americanos.”

No texto, Sanders também critica aquele que poderá ser seu adversário, caso conquiste a indicação democrata. “Vocês sabem tão bem quanto eu que nós estamos vivendo um momento crucial e perigoso da história americana”, afirmou.

“Nós estamos concorrendo contra um presidente que é um mentiroso patológico, uma fraude, um racista, sexista, xenófobo e alguém que está minando a democracia americana conforme nos leva a uma direção autoritária.”

Trump, em seus mais recentes discursos sobre a situação na Venezuela, tem feito fortes críticas ao socialismo, em tentativa de associar o que está acontecendo no país latino-americano ao que poderia acontecer nos EUA caso fosse governado por um líder simpático à ideologia. Na segunda (18), em Miami, afirmou que “a América nunca vai ser um país socialista.

Sanders entra na briga com o maior número de seguidores em mídias sociais e também leva vantagens em alguns pontos.  Ele já foi membro do partido brevemente em 2016 para concorrer na primária presidencial democrata em New Hampshire, mas se desfiliou depois.

Ainda assim, ele é um dos nomes mais conhecidos e admirados do Partido Democrata. As operações de sua campanha são desenvolvidas em cada primária e estado que realiza caucus, a assembleia de eleitores.

Ao concorrer pela candidatura do partido, ele consegue participar de debates e ter o nome em cédulas nas disputas estaduais. O partido, por sua vez, permite que ele, mesmo sem ser filiado, dispute a nomeação democrata. 

Para 2020, o senador também encontra um campo de batalha inflado, com vários políticos democratas já anunciando disputa pela candidatura do partido, e alguns com plataformas parecidas com as bandeiras de Sanders, como saúde para todos, estabelecimento de um salário mínimo federal de US$ 15 por hora, impostos maiores para ricos e ensino superior gratuito.

Até o momento, ele disputa a candidatura com nomes como os de Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, Kamala Harris, da Califórnia, e Amy Klobuchar, senadora de Minnesota.

De 1972 a 1976, Sanders foi o candidato do Partido da União pela Liberdade de Vermont, anticapitalista e contrário à Guerra do Vietnã. Ele disputou duas eleições ao senado e ao governo do estado, mas fracassou em todas as ocasiões.

Em 1981, foi eleito prefeito de Burlington, a maior cidade de Vermont. Durante 16 anos, ele foi o único congressista do estado, antes de ser eleito ao Senado, em 2006.

Dez anos depois, ele recebeu 13 milhões de votos durante a tentativa de conquistar a indicação democrata, e disputou com Hillary os eleitores com menos de 30 anos. 

Embora o senador tenha, mais tarde, endossado a candidatura da adversária, muitos de seus apoiadores não votaram na ex-secretária de Estado americana, e os republicanos usaram essa dissidência para tentar convencer esses eleitores a abraçar Trump como o candidato da mudança.

A campanha eleitoral de 2016 de Sanders não escapou incólume de polêmicas. Em janeiro deste ano, ele teve de lidar com acusações de assédio sexual cometidos por funcionários que participaram da organização de sua candidatura. Ele pediu desculpas e afirmou que não tinha conhecimento das condutas inapropriadas porque estava muito ocupado percorrendo o país na disputa pela nomeação democrata. 

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