Bolsonaro posta mensagem de apoio aos "nossos irmãos venezuelanos"

Presidente tem posição contrária à ditadura de Nicolás Maduro mais incisiva que antecessores

São Paulo

No dia D marcado pela oposição venezuelana para pressionar a ditadura de Nicolás Maduro com o envio de ajuda humanitária oriunda dos EUA, Colômbia e Brasil, o presidente Jair Bolsonaro publicou mensagem de apoio ao movimento.

Manifestante joga bomba de gás lacrimogêneo contra policiais venezuelanos em San Antonio del Tachira
Manifestante joga bomba de gás lacrimogêneo contra policiais venezuelanos em San Antonio del Tachira - Federico Parra/AFP

"Força ao povo venezuelano! Deus no comando!", escreveu, em espanhol, em sua conta no Twitter, no melhor estilo Bolsonaro. O Brasil participa ativamente da pressão internacional contra Maduro e reconhece como presidente interino do país Juan Guaidó, o líder da Assembleia Nacional do vizinho.

Os filhos de Bolsonaro, em particular o deputado federal Eduardo (PSL-SP), também postaram ao longo do dia considerações sobre a crise venezuelana. Eduardo é ativo em assuntos de política externa, sendo o avalista político da indicação do chanceler Ernesto Araújo —cujo nome foi proposto para o governo pelo ideólogo de ambos, o escritor direitista Olavo de Carvalho.

O Brasil já buscava uma posição crítica em relação à ditadura de Maduro desde o governo de Michel Temer (MDB), mas Bolsonaro e Araújo radicalizaram a posição e alinharam-se à posição mais agressiva defendida pelo governo de Donald Trump nos EUA.

Preocupados com uma escalada que pudesse levar à entrada do Brasil em um conflito no país vizinho, os militares brasileiros impuseram uma intervenção branca às ações de Araújo —ele chegou a anunciar o corte da cooperação na área de defesa com o vizinho, uma fonte inestimável de informações de inteligência.

Mais recentemente, a cúpula militar vetou o pedido dos EUA para que o Brasil usasse força para tentar fazer entrar os mantimentos que estão retidos na fronteira neste sábado (23).

Para acomodar a intenção de Bolsonaro de participar ativamente na questão, a solução encontrada foi a de escoltar com policiais e soldados o transporte da ajuda humanitária até o limite do território brasileiro, mas rejeitar qualquer passo além.

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