Descrição de chapéu Venezuela

Papa diz que pode mediar diálogo na Venezuela se todos os lados aceitarem

Para Francisco, governo e oposição devem primeiro iniciar uma reaproximação

O papa Francisco acena antes de embarcar no avião para deixar Abu Dhabi com destino a Roma
O papa Francisco acena antes de embarcar no avião para deixar Abu Dhabi com destino a Roma - Divulgação/Vaticano/AFP
Reuters

O papa Francisco disse nesta terça-feira (5) que o Vaticano está disposto a ajudar a mediar a crise política na Venezuela caso todos os lados concordem, mas que para isso governo e oposição devem antes iniciar uma aproximação

Em entrevista a jornalistas a bordo do avião papal em seu retorno a Roma após viagem aos Emirados Árabes Unidos, o pontífice também confirmou que recebeu uma carta do ditador Nicolás Maduro, mas que ainda não conseguiu lê-la. 

Maduro declarou na segunda (4) ao canal de TV italiano Sky TG24 que enviou uma carta ao papa, na qual pediu "ajuda em um processo para facilitar e reforçar o diálogo". 

Questionado sobre a possibilidade de liderar uma mediação direta no país, Francisco disse que isso dependerá do comportamento dos dois lados.

"Eu lerei a carta e verei o que pode ser feito, mas a condição inicial é que os dois lados peçam [a mediação]. Estamos dispostos a fazer isso", disse ele.

O papa também disse que uma mediação formal do Vaticano seria a última etapa de um processo diplomático, que deveria ter a participação de toda a comunidade internacional. Ele também defendeu um esforço "para tentar aproximar um lado do outro e iniciar um processo de diálogo". 

A declaração de Francisco aconteceu um dia após diversos países europeus terem reconhecido o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. 

Presidente da Assembleia Nacional, de maioria opositora, Guaidó se autodeclarou presidente encarregado do país no último dia 23, uma vez que o Legislativo não reconhece Maduro, porque afirma que a eleição que o reelegeu foi fraudada. 

Maduro já afirmou que gostaria de se encontrar com Guaidó para um diálogo, mas o opositor disse que o convite é só uma tentativa do ditador de ganhar tempo e que não pretende se reunir com ele.

A maior parte da oposição também tem se posicionado contra o diálogo e cita que as últimas tentativas de negociações com o ditador foram infrutíferas.

No fim de 2016, o próprio Vaticano organizou uma das rodadas de negociação, que também fracassaram após a oposição acusar Maduro de não cumprir sua promessa de soltar os presos políticos. Segundo a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), 96% da população venezuelana é católica.

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