Bolsonaro diz que maioria de imigrantes não tem boas intenções e que apoia muro de Trump

Presidente manifesta apoio ao mandatário americano durante entrevista à Fox News

Jair Bolsonaro concede entrevista à Fox News em Washington, nos EUA, nesta segunda (18)
Jair Bolsonaro concede entrevista à Fox News em Washington, nos EUA, nesta segunda (18) - Reprodução
Sarah Mota Resende
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro, que está em Washington, nos Estados Unidos, afirmou que apoia a ideia do mandatário americano Donald Trump de construir um muro na fronteira do país com o México, e que a maioria dos imigrantes não tem boas intenções. 

"Nós vemos com bons olhos a construção do muro", afirmou Bolsonaro em entrevista à Fox News, nesta segunda (18). "A maioria dos imigrantes não tem boas intenções."

A declaração de Bolsonaro foi feita no mesmo dia em que o presidente dispensou os cidadãos dos Estados Unidos da necessidade de visto para viajar ao Brasil. A dispensa também vale para os visitantes da Austrália, do Canadá e do Japão.

Neste sábado (16), o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acompanha o pai nos EUA, deu declaração polêmica sobre imigrantes. Segundo ele, os brasileiros que vivem ilegalmente no exterior são uma preocupação do governo porque são "uma vergonha" para o país. "O brasileiro que vem pra cá [EUA] de maneira regular é bem-vindo. Brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, é vergonha nossa", declarou.​

Sobre a situação da Venezuela, o presidente disse à Fox que o Brasil tomaria rumo parecido se continuasse sendo comandado por governos petistas.

Pouco antes da entrevista, durante discurso, Bolsonaro afirmou que o Brasil conta com o apoio e a capacidade bélica dos Estados Unidos para "libertar o povo" da Venezuela.

Ao ser comparado com Trump pela jornalista Shannon Bream e de ser chamado de "Trump dos Trópicos", Bolsonaro sorriu e disse que sempre admirou Trump.

Ao ser questionado sobre o vídeo obsceno que publicou em suas redes sociais no Carnaval, Bolsonaro disse que queria mostrar o que estava acontecendo. "Esse vídeo já estava circulando na internet, e compartilhei para mostrar como o Carnaval estava acontecendo."

Bolsonaro também rebateu acusações de que teria ligação com milícias e com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol), ocorrido há um ano. Um dos acusados pela morte, o policial reformado Ronie Lessa, mora no mesmo condomínio em que o presidente tem casa. 

"Sou um capitão do Exército brasileiro e parte dos oficiais da polícia do Rio de Janeiro são grandes amigos meus. Por coincidência, um desses suspeitos de ter matado a Marielle não era na verdade vizinho meu, mas morava do outro lado de uma outra rua [do condomínio]​. Só descobri que ele vivia lá depois de ver as notícias."

O presidente ainda fez um adendo sobre o caso Marielle. "E mais: que tipo de motivação eu poderia ter para mandar matar essa mulher?".

Bolsonaro também voltou a criticar a política de imigração da França. "Quem é favorável ao socialismo deve olhar para a experiência da França, que abriu suas fronteiras a todo tipo de refugiado sem seleção ou filtro; é um mau exemplo", declarou, segundo a RFI.

Não é a primeira vez que Bolsonaro reproduz a retórica de Trump de críticas à política de imigração do governo francês. Em dezembro, o embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, ironizou um comentário feito por líder brasileiro de que a vida na França havia se tornado "insuportável” por causa da imigração.

O embaixador respondeu comparando os índices de violência entre os dois países. “63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França. Sem comentários”, pontuou.

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