Cardeal na França é condenado por ocultar abusos de menores na Igreja

Após sentença, Philippe Barbarin disse que vai pedir demissão ao papa Francisco

Reuters e AFP

O cardeal Philippe Barbarin, uma das mais altas figuras da Igreja Católica na França, foi condenado nesta quinta-feira (7) por um tribunal de Lyon a seis meses de prisão.

Pouco depois do anúncio da sentença, afirmou que vai apresentar seu pedido de demissão ao papa Francisco em "alguns dias".

Barbarin, 68, foi declarado culpado por não ter denunciado, entre julho de 2014 e 2015, abusos sexuais cometidos nas décadas de 1980 e 1990 pelo padre Bernard Preynat, de sua diocese.

O cardeal não compareceu à corte para ouvir o veredito. "Independentemente do meu futuro pessoal, quero reiterar toda a minha compaixão para com as vítimas", disse.

O cardeal francês Philippe Barbarin deixa coletiva de imprensa na qual anunciou sua renúncia - Jean-Philippe Ksiazek/AFP

A defesa do religioso, o mais alto clérigo da França a estar envolvido em um escândalo de abuso sexual na Igreja Católica, deve apresentar recurso. "A motivação do tribunal não me convence. Portanto, vamos apelar contra a decisão por todas as vias do direito", disse o advogado Jean-Félix Luciani para a imprensa.

Barbarin nega ter ocultado que o padre Bernard Preynat abusou de dezenas de meninos mais de uma década antes de sua chegada à diocese de Lyon, em 2002. Preynat admitiu os abusos sexuais contra ao menos 70 meninos de uma cidade da Grande Lyon, segundo seu advogado.

O escândalo é tema do filme “Grâce à Dieu” (graças a deus), do diretor François Ozon, vencedor do Festival de Berlim este ano. Preynat tentou impedir que o longa estreasse na França.

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