Turistas e moradores se aglomeram às margens do Sena para observar chamas da Notre-Dame

Incêndio consumiu parte do monumento da cidade, destruindo dois terços do telhado da catedral

Flávia Mantovani
Paris

Enquanto as chamas consumiam a Notre-Dame nesta segunda-feira (15), franceses e turistas se aglomeravam às margens do rio Sena, subindo em parapeitos e em qualquer superfície alta para observar o incêndio na catedral parisiense. 

Muitos estavam em casa ou no trabalho e se dirigiram às ruas com vista para o acidente para ver a imagem ao vivo.

 

Acessos à Île de la Cité, onde fica a Notre-Dame, foram fechados, mas era possível ver o fogo e a fumaça a partir das ruas em volta da área. A multidão de espectadores se alastrava ao longo do canal, lamentando os danos sofridos pelo monumento.

"Quis olhar de perto para acreditar", diz a cozinheira guatemalteca Maria Ramírez, 77, que mora há 40 anos na cidade. "Chorei. É triste demais."

A turista egípcia Yasmine Youssef, 19, está há cinco dias em Paris e não havia visitado a Notre-Dame ainda.

"Perdi a chance. Uma pena", disse, enquanto se ouvia o som das ambulâncias que passavam. "Ver isso de perto é de cortar o coração."

Em meio aos muitos celulares que registravam a cena, havia também algumas câmeras profissionais, como a do estudante Guillaume Rousseau, 23.

"É um momento histórico. Eu tinha que estar aqui. Não há nenhum lugar mais importante para um morador da cidade estar neste momento", disse.

Ele fez fotos e vídeos não só do incêndio, mas também do público que o observava. "É totalmente diferente do dia a dia nessa área. Geralmente tem muito barulho, e agora tem muita gente, mas estão quase todos em silêncio."

Vizinho da catedral, o peruano Eduardo Yto, 56, teve que ver tudo a distância. "Evacuaram os moradores. Alguns não quiseram sair, mas eu preferi não arriscar."

Ele diz que nunca viu nada tão grave ocorrer na cidade. "São 800 anos de história, levaram dois séculos para construir o edifício. Em quatro horas uma parte vai ao chão."​

 
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