WhatsApp bloqueia contas de partidos da Espanha pouco antes das eleições

Legendas usavam o aplicativo para enviar mensagens de forma massiva a eleitores

São Paulo e Madri

O Whatsapp suspendeu parte das contas usadas por partidos políticos na Espanha para enviar propaganda política nesta quinta (25), a poucos dias das eleições gerais no país, marcadas para domingo (28). 

Foram atingidos os partidos PSOE, PP, Cidadãos e Vox. O bloqueio foi confirmado por integrantes das organizações à imprensa espanhola e disseram não ter sido informados da causa da suspensão, que poderia estar relacionada com o envio de mensagens repetidas. 

No início da semana, contas do partido Podemos (esquerda radical) foram bloqueadas, mas parte delas foram liberadas nesta sexta, segundo o site El Confidencial.

Da esq. p/ a dir., os líderes de partidos Pablo Casado (PP), Pablo Iglesias (Podemos), Pedro Sánchez (atual premiê, do PSOE) e Albert Rivera (Cidadãos), em debate na segunda (23) - Javier Soriano/AFP

​O Podemos disse que possuía mais de 50 mil pessoas inscritas para receber suas mensagens, e que usava programas externos para fazer os envios, algo feito também por outros partidos, segundo a legenda. 

A suspensão de contas do Podemos gerou críticas de que o WhatsApp estaria agindo de forma parcial, por atingir apenas a um partido, que ficou vários dias com o serviço bloqueado. 

Ao El País, o WhatsApp disse ter criado uma tecnologia de machine learning (aprendizado automático) para identificar e cancelar contas que realizem envios automáticos e massivos, que são considerados como uso indevido. 

Entre as práticas proibidas pelo WhatsApp, estão o uso de contas pessoais para envio em massa, em vez do serviço Business, envio repetido da mesma mensagem (spam) e envio de links que não se relacionam com o conteúdo da mensagem entregue.

A estratégia de envio massivo de mensagens é semelhante à que a Folha mostrou ter ocorrido na eleição brasileira de 2018. 

Na terça, o Facebook, dono do WhatsApp, divulgou uma nota em que diz que "Nossos termos de serviço são explícitos e não permitem o envio massivo de mensagens nem programas de terceiros para automatizar as mensagens".

Cinco dias antes da votação, o Facebook tirou do ar no país 17 contas ou páginas de ultra direita que totalizavam quase 1,5 milhão de seguidores e 7 milhões de interações (curtidas, comentários etc.) desde o começo de 2019.

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