Arábia Saudita acusa Irã de estar por trás de ataque contra oleoduto

Estrutura de transporte de petróleo foi atingida por ataque, reivindicado por rebeldes do Iêmen

Riad e Tóquio

O vice-ministro da Defesa da Arábia Saudita, Khaled bin Salman, filho do rei saudita, acusou o Irã de estar por trás do ataque com drones dos rebeldes iemenitas contra duas estações de bombeamento de um oleoduto na região de Riad.

"O ataque dos milicianos huthis contra duas estações de bombeamento da Aramco prova que estes milicianos são um simples instrumento que o regime do Irã utiliza para aplicar sua agenda expansionista na região e não para proteger o povo do Iêmen, como afirmam de modo equivocado os huthis", afirmou o príncipe Khaled no Twitter.

Drone que teria sido usado nos ataques, apresentado por autoridades dos Emirados Árabes Unidos - Karim Sahib - 14.mai.2019/AFP

Em outra mensagem, Khaled afirmou que os "atos terroristas" foram "ordenados pelo regime de Teerã e executados pelos huthis".

O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, também usou o Twitter para afirmar que os "huthis são uma parte invisível da Guarda Revolucionária do Irã e atuam sob suas ordens", como prova o ataque contra instalações petroleiras sauditas.

Nesta quinta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita que atua no Iêmen executou vários bombardeios contra alvos huthis, particularmente em Sanaa, a capital, onde pelo menos seis pessoas morreram.

Irã rejeita acordo

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, descartou nesta quinta-feira qualquer possibilidade de negociação com os Estados Unidos para diminuir a tensão no Golfo.

"Não, não há possibilidade de negociações", respondeu Zarif, durante uma visita a Tóquio, ao ser questionado sobre a chance de um diálogo bilateral com Washington para acabar com a tensão, informou a agência japonesa Kyodo.

Mais cedo, o chanceler iraniano acusou o governo dos Estados Unidos de provocar uma escalada "inaceitável" das tensões. 

"Atuamos com máxima moderação", declarou Zarif, em referência à reação de seu país à decisão do ano passado de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, que deveria evitar a produção de armas atômicas por Teerã.

A tensão aumentou nas últimas semanas com o envio ao Oriente Médio de um porta-aviões e de mísseis Patriot por parte dos Estados Unidos, país que acusa o Irã de ameaçar seus interesses.

Uma nova fonte de tensão surgiu com a denúncia de "atos de sabotagem" contra três petroleiros e um cargueiro no Golfo, de origem indeterminada até o momento, assim como um ataque contra estações de bombeamento na Arábia Saudita, reivindicados pelos rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.

O Departamento de Estado dos EUA ordenou na quarta-feira que os funcionários diplomáticos não emergenciais deixem a embaixada no Iraque, vizinho do Irã, alegando uma "ameaça iminente" relacionada "diretamente" com o governo de Teerã. 

Apesar da escalada, Donald Trump voltou a pedir o diálogo. "Tenho certeza de que o Irã vai querer conversar em breve", escreveu no Twitter.

Esta não é a primeira vez que Trump cita uma possível negociação —no momento sem sucesso. O presidente americano advertiu na segunda-feira as autoridades iranianas sobre qualquer ato hostil. "Se fizerem algo, vão sofrer muito", alertou.

O governo americano afirmou que a determinação de retorno dos diplomatas não foi motivada por uma ação militar iminente dos Estados Unidos contra o Irã ou seus grupos aliados.

Pouco depois da decisão americana, os exércitos da Alemanha e da Holanda anunciaram a suspensão das operações de treinamento militar no Iraque.

Pompeo afirmou na terça-feira, durante visita a Sochi (Rússia), que Washington não busca uma guerra com o Irã.

O guia supremo Ali Khamenei declarou na terça-feira que "não vai acontecer uma guerra com os Estados Unidos", enquanto o presidente Hassan Rohani citou a "guerra econômica" de Washington.

"Este período da história é o mais fatídico para a Revolução Islâmica porque o inimigo colocou em jogo todas estas capacidades contra nós", afirmou o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami.

A Rússia afirmou que está preocupada com a "escalada da tensão" e acusou Washington de "provocar" o Irã.

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