Descrição de chapéu The New York Times

Foto de pai e filha afogados se torna símbolo da travessia mortal para entrar nos EUA

Imagem publicada por jornal mexicano mostra família de El Salvador ao tentar atravessar Rio Grande

Cidade do México | The New York Times

Atravessar o Rio Grande tem sido um dos muitos obstáculos mortais que os imigrantes enfrentam quando tentam entrar nos Estados Unidos.

Mas uma fotografia publicada na segunda-feira (24) por um jornal mexicano serviu como lembrete chocante dos perigos da jornada: os corpos de um homem e sua filha de 23 meses flutuando de bruços nas margens próximas a Brownsville, no Texas.

A garota está debaixo da camisa dele, o braço dela envolvendo o pescoço dele.

A fotografia, registrada pela repórter Julia Le Duc e publicada na primeira página do jornal La Jornada na terça-feira (25), chamou a atenção como a imagem de mais uma morte ao longo da fronteira, num período em que migrantes, particularmente famílias da América Central, chegam em números crescentes.

 

"Eu sei que nossos corações não aguentam mais", disse a congressista Veronica Escobar, do Texas. "Devemos continuar lutando pela dignidade e humanidade dessas almas vulneráveis."

Ela acrescentou: "Mantenha sua humanidade diante do horror".

Quando questionado sobre a foto, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse que era "muito lamentável que isso acontecesse", segundo a agência de notícias Associated Press.

"Sempre denunciamos que, como há mais rejeição nos Estados Unidos, há pessoas que perdem suas vidas no deserto ou atravessando" o rio, disse ele na terça-feira.

​Alguns usaram a imagem como um grito de guerra para a reforma da imigração. O senador Cory Booker, de Nova Jersey, que está buscando a indicação para ser o candidato democrata nas eleições presidenciais, disse que as pessoas não devem desviar o olhar da fotografia.

"Estas são as consequências da política desumana e imoral de imigração de Donald Trump", publicou ele no Twitter. "Isso está sendo feito em nosso nome."

O jornal La Jornada, baseado na Cidade do México, identificou os imigrantes na fotografia como Óscar Alberto Martínez Ramírez e sua filha Valeria, de El Salvador.

A mulher de Martínez, Tania Vanessa Ávalos, disse ao La Jornada que eles estavam esperando há dois meses em um acampamento em Matamoros, no lado mexicano de uma ponte que liga a cidade a Brownsville, para apresentar seus pedidos de refúgio aos oficiais dos Estados Unidos. No domingo, decidiram atravessar o rio por conta própria.

Martínez pegou a filha nos braços, cruzou o rio e a colocou em terra firme, disse Ávalos. Quando Martínez voltou para atravessar a esposa, conta ela, Valeria pulou na água. Quando ele tentou resgatá-la, ambos foram puxados para baixo.

Ávalos disse que alertou as autoridades, e que uma busca foi iniciada. Encontraram os corpos cerca de 12 horas depois, a cerca de 500 metros de distância de onde afundaram.

Migrantes da América Central cruzam a fronteira aos milhares nos últimos meses, sobrecarregando os agentes da Patrulha da Fronteira, grupos sem fins lucrativos e autoridades locais.

O aumento mostra como a jornada pode ser mortal, tanto no Rio Grande quanto em outros lugares. Condições severas do deserto e falta de água levam a desidratação ou insolação.

 
Muitos migrantes não sabem nadar, e agentes da Patrulha da Fronteira disseram neste mês que estavam tirando dezenas de migrantes, incluindo crianças, do rio quase todos os dias.

De 1º de outubro ao início de junho, agentes da Patrulha da Fronteira resgataram ao menos 315 migrantes de um trecho de 330 quilômetros do Rio Grande —no ano anterior, foram 12.

Mas também houve tragédias.

Em maio, um menino de 10 meses morreu depois que uma embarcação carregando migrantes virar no Rio Grande.

No condado de Hidalgo, na fronteira, oficiais do xerife local relataram 27 mortes de migrantes nos rios no ano passado, um aumento em relação a 2017, que registrou 13 mortes.

 

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