Morte de usuário aumenta polêmica sobre caos de patinetes em Paris

Homem de 25 anos bateu em caminhão; prefeita lançou regras para regular uso

Paris | AFP

Um homem de 25 anos que circulava em uma patinete elétrica morreu na segunda-feira (10) ao bater contra um caminhão em Paris, em meio a uma polêmica envolvendo esses veículos cada vez mais numerosos na capital francesa.

O jovem, que segundo uma fonte não respeitou a prioridade à direita, chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos, informaram os bombeiros.

Homem em patinete elétrica no distrito financeiro de Paris
Homem em patinete elétrica no distrito financeiro de Paris - Alain Jocard-22.out.18/AFP

As patinetes elétricas apareceram há um ano em Paris e já somam cerca de 20 mil.

Na última quinta-feira (6), a prefeita socialista Anne Hidalgo anunciou medidas para regular a circulação.

A partir de julho ficará proibido estacioná-los nas calçadas, a velocidade será limitada a 20 km/h e 8 km/h em zonas para pedestres, não poderão ser utilizados em "parques e jardins" e se recomendará o uso de capacete.

A intenção era tornar obrigatório o uso do equipamento de proteção, mas os deputados renunciaram na sexta-feira a essa medida porque "os franceses estão cansados de que lhes imponham obrigações".

O acidente desta segunda-feira mostra “a necessidade de lembrar das regras elementares que os usuários têm que respeitar", disse Emmanuel Grégoire, primeiro adjunto da prefeita.

"É preciso mobilizar a polícia para multar os usuários que pulam um semáforo, por exemplo”, acrescentou.

A ministra dos Transportes, Elisabeth Borne, disse ser favorável às patinetes elétricas, mas admitiu que seu uso tem sido "totalmente anárquico" e causa problemas de segurança.

O governo está trabalhando em um decreto sobre a questão que deve ser aprovado no fim do ano.

Moradores de Paris têm se queixado de que não aguentam mais ver esses veículos largados nas calçadas, ou passando a toda velocidade, pondo em risco a segurança de pedestres.

Um acidente sofrido em meados de maio por uma pianista da Ópera de Paris, divulgado no início de junho, já tinha causado indignação: atropelada no centro da cidade e vítima de uma fratura dupla no braço direito, ela corre o risco de não voltar a tocar.

Boa conduta

Antes da regulamentação apresentada por Hidalgo, empresas do setor já haviam assinado uma Carta de Boa Conduta que impõe o estacionamento em espaços especialmente dedicados às patinetes e pune com multa de 135 euros (cerca de R$ 590) os usuários que circulem nas calçadas.

Segundo a própria prefeitura, porém, a proibição é difícil de se cumprida: "A polícia não parece muito mobilizada sobre o tema", afirma Christophe Najdovski, adjunto da prefeitura encarregado de Transportes, Segundo ele, os 11 operadores que surgiram em pouco tempo, "jovens empresários emergentes de menos de 30 anos, estão dominados por seu sucesso".

A Lime, líder mundial do mercado, afirma que controlar a velocidade será algo "fácil": "Um sistema nos permite regulá-la remotamente", explica um porta-voz, que detalha que "isso já acontece em Lyon", uma das principais cidades da França.

Para o estacionamento, a Lime criou uma "patrulha urbana" de cerca de 50 pessoas encarregadas de colocar as patinetes em um lugar apropriado. "Lançamos também uma campanha de conscientização com direção eletrônica que convida a nos informarem sobre qualquer patinete mal estacionado", acrescenta o porta-voz.

"Queremos nos mostrar como bons alunos", insiste. No entanto, a empresa se nega a considerar uma "sanção" para o usuário que não respeitar as regras.

As patinetes elétricas também provocam polêmica na Alemanha, que autorizou o uso em maio, mas com regras duras.

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