Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Venezuela

Brasil atua para evitar nova Venezuela, diz Bolsonaro ao lado de diplomata dos EUA

Presidente participou de evento em comemoração da independência americana

Ricardo Della Coletta Gustavo Uribe
Brasília

Ao lado do principal diplomata dos Estados Unidos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (3), que seu governo atua para que não surja uma nova Venezuela na América do Sul. 

“Temos um problema aqui ao norte do Brasil e não queremos que outros países enveredem para esse lado”, disse Bolsonaro, durante cerimônia de celebração da independência dos Estados Unidos na embaixada norte-americana, em Brasília.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, durante coquetel que celebrou o aniversário da Independência dos EUA, em Brasília - Carolina Antunes/PR

O Brasil e os EUA reconhecem a legitimidade do líder oposicionista Juan Guaidó para comandar o país vizinho, oficialmente chefiado pelo ditador Nicolás Maduro. 

Bolsonaro também disse que, durante o encontro bilateral que teve com Donald Trump na cúpula do G20, no Japão, pediu ao presidente dos EUA para que ele venha à América do Sul discutir com outros mandatários a crise na Venezuela.

“Nessa viagem ao Japão fiz uma solicitação a ele [Trump]. Talvez ele venha à América do Sul, onde reuniríamos os países que abandonaram a esquerda e foram para o centro e para a centro-direita”, declarou. 

Bolsonaro não deu mais detalhes sobre essa possível visita do presidente americano à América do Sul, mas desde antes do encontro do G20 existe um convite para que Trump vá ao Chile em novembro para uma reunião da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).

03/07/2019 Coquetel de recepção para celebrar o 243º Aniversário da Independência dos Estados Unidos da América  (Brasília - DF, 03/07/2019) Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro.  Foto: Carolina Antunes/PR
O presidente Jair Bolsonaro participa de coquetel pelo aniversário da independência dos EUA, na embaixada americana em Brasília - Carolina Antunes/PR

Não há, no entanto, confirmação se o mandatário irá a essa reunião no Chile. 

Em sua fala, Bolsonaro ainda se comparou a Trump ao argumentar que tanto ele quanto o norte-americano tiveram trajetórias semelhantes em suas campanhas eleitorais. 

De acordo com Bolsonaro, os eleitores do Brasil e dos EUA fizeram o que “seus corações determinaram” e não seguiram o que “diziam os especialistas”. 

O presidente também voltou a afirmar que nas últimas décadas o Brasil e os EUA estiveram “um pouco afastados”, mas que houve reaproximação com seu governo, porque o “viés ideológico” foi abandonado. 

Referindo-se aos EUA como “país irmão”, Bolsonaro disse que as duas nações estiveram juntas em diversos momentos da história. 

“A liberdade não tem preço. Brasil e EUA, nos momentos mais difíceis da história do mundo, sempre estiveram juntos, como na Segunda Guerra Mundial, quando combatemos o nazi-fascismo”, declarou. 

No palco com o presidente estavam, além da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, William Popp —atualmente o principal diplomata norte-americano no país.

Após sua fala, Bolsonaro e os presentes no evento acompanharam uma queima de fogos.

Ao lado de Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o presidente posou para fotos em um cenário que lembrava a primeira viagem do homem à lua, que completa 50 anos em 2019 e foi realizada pelos EUA. 

A presença do presidente da República em festas nacionais em embaixadas de outros países é evento raro e pouco comum na praxe diplomática. 

 

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