Federação de Agricultura do PR critica decisão de não vender combustível para navios do Irã

Embarcações sancionadas pelos EUA estão paradas no porto de Paranaguá, carregadas com milho

Ricardo Della Coletta
Brasília

A FAEP (Federação de Agricultura do Estado do Paraná) criticou nesta terça-feira (23) a decisão da Petrobras de não fornecer combustível para navios iranianos que estão parados no porto de Paranaguá (PR) e disse que a medida traz "péssimas consequências para o setor agrícola do Brasil".

"As sanções econômicas contra o Irã, estabelecidas pelos Estados Unidos e em alinhamento com os interesses do governo federal, não devem ser aplicadas em caso de transporte de alimentos, assim como de medicamentos e equipamentos médicos. O transporte de comida está previsto no que se encaixa como 'exceção humanitária'", disse a entidade, em nota.

O navio iraniano Bavand, ancorado no porto de Paranaguá (PR) - João Andrade/Reuters

Os EUA ampliaram suas sanções contra o Irã neste ano, visando atingir o setor petrolífero do país. Na sexta (19), a Petrobras confirmou que não forneceu combustíveis para navios iranianos, carregados com milhos no porto paranaense, por temer represálias ao violar as regras americanas.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, opinou pela suspensão da decisão liminar que obrigaria a Petrobras a fornecer combustível aos navios, conforme manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), instância na qual o caso deve ser decidido.

Ao comentar o caso neste domingo (21), o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil está alinhado à política dos EUA de sanção econômica contra o país persa.

A FAEP argumentou nesta terça que o Irã é o maior importador de milho brasileiro. Além do mais, continua a entidade, o país persa "é um dos principais compradores de produtos importantes" para o Paraná, como a soja e a carne bovina.

"A paralisação dos navios também compromete a qualidade da carga de milho, que pode ser devolvido e trazer prejuízos para o setor", concluiu a FAEP. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.