Secretário de Trabalho dos EUA renuncia por ligação com Epstein

Quando era promotor, Alexander Acosta negociou acordo com bilionário acusado de abusar de menores

Washington | AFP

Alex Acosta, secretário de Trabalho dos EUA, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (12), após questionamentos por sua participação, quando era promotor, em um acordo que resultou em penas brandas para um bilionário acusado de abuso sexual de menores.

"Chamei o presidente nesta manhã e lhe disse que pensava que a coisa certa a fazer é se afastar", disse, em entrevista coletiva na Casa Branca, ao lado de Donald Trump. 

O presidente Donald Trump, ao lado de Alexander Acosta, na entrevista coletiva na qual Acosta anunciou sua renúncia - Kevin Lamarque/Reuters

Acosta, 50, disse nesta semana que o acordo, no qual o bilionário Jeffrey Epstein cumpriu 13 meses de prisão após ser acusado de abusar sexualmente de dezenas de mulheres e meninas foi o acerto mais duro possível, pois o caso era complexo.

A promotoria, segundo ele, teria uma chance de sucesso muito maior nos tribunais estaduais —o mesmo argumento que ele vem apresentando há anos.

"Os crimes cometidos por Epstein são horríveis, e estou satisfeito que os promotores de Nova York estejam avançando no caso, com base em novas evidências", escreveu Acosta, na terça-feira, no Twitter.

"Com as evidências disponíveis há mais de uma década, os promotores federais insistiram que Epstein fosse preso, se registrasse como ofensor sexual e declarasse ao mundo que era um predador sexual", continuou.

"Agora, com novas evidências e mais depoimentos à disposição, o Ministério Público de Nova York oferece uma importante oportunidade para levá-lo à Justiça de forma mais plena."

Críticos do acordo argumentam que Epstein deveria ter enfrentado uma acusação mais severa no tribunal estadual do que uma única infração de solicitar prostituição de uma menor.

O raro acordo alcançado com a polícia do condado de Palm Beach permitiu que Epstein saísse da cadeia municipal seis dias por semana para trabalhar. Sua sentença de prisão foi de 18 meses, mas ele foi libertado cinco meses antes.

Em uma reviravolta que mais tarde foi considerada ilegal, o acordo entre Acosta e um dos advogados de Epstein, Jay P. Lefkowitz, foi inicialmente mantido em segredo das vítimas.

O financista Jeffrey Epstein em foto para o registro de agressores sexuais do estado de Nova York - New York State Division of Criminal Justice Services/Reuters
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