Descrição de chapéu Brexit

Boris é vaiado, vai embora e deixa premiê de Luxemburgo sozinho em entrevista

A 45 dias do prazo marcado para o brexit, possibilidade de acordo segue sob dúvida

Luxemburgo e Londres | AFP e Reuters

Em Luxemburgo para negociações em torno do brexit, o premiê do Reino Unido, Boris Johnson, foi recebido nesta segunda-feira (16) com vaias e, por isso, decidiu não comparecer a uma entrevista coletiva.

Ao chegar para o encontro com o premiê de Luxemburgo, Xavier Bettel, o britânico ouviu gritos de "vergonha de você" dos manifestantes, além de muitas vaias.

Após a reunião, Boris foi embora sem falar com os jornalistas, e Bettel concedeu entrevista ao lado de um púlpito vazio.

Luxemburgo é uma das sedes dos escritórios da União Europeia. 

Outro encontro do britânico também terminou com clima ruim.

De Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia —equivalente ao Executivo do bloco—, Boris ouviu que o Reino Unido ainda não apresentou alternativas viáveis à proposta de saída fechada em novembro de 2018 com a União Europeia (UE) e rejeitada pelo Parlamento britânico.

"O presidente Juncker lembrou que é responsabilidade do Reino Unido apresentar soluções legalmente compatíveis com o acordo de retirada. Essas propostas ainda não foram feitas", afirmou a Comissão, em comunicado.

Já Boris optou pelo otimismo, ainda que não tenha mostrado o que seria feito na prática para que Reino Unido e o bloco europeu chegassem a um trato.

O primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, durante entrevista coletiva a qual o premiê britânico, Boris Johnson, não compareceu
O primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, durante entrevista coletiva a qual o premiê britânico, Boris Johnson, não compareceu - Yves Herman/Reuters

A jornalistas, o premiê disse que "há uma boa chance de acordo" e que "consegue ver a forma dele". "Todo mundo consegue ver mais ou menos o que deve ser feito", disse Boris.

"Este é um momento difícil, claramente estamos muito, muito entusiasmados em fazer isso, mas eu não quero que as pessoas pensem que já está no bolso. Não está necessariamente no bolso, ainda há muito trabalho duro a ser feito." 

As duas partes prometeram intensificar as reuniões, que passarão a ser diárias, para tentar chegar a um consenso. Há temores de que possa ocorrer uma saída sem acordo. A ruptura brusca pode gerar diversos problemas econômicos para o Reino Unido e os países da UE. 

O prazo atual para o brexit é 31 de outubro, e Boris disse que prefere morrer a pedir uma nova extensão do prazo. 

Manifestantes protestam contra Boris em Luxemburgo - Yves Herman/Reuters

No entanto, o Parlamento britânico aprovou uma lei que o obriga a solicitar o adiamento caso não haja um acordo entre União Europeia e Reino Unido até o dia 19 de outubro.

O Parlamento britânico está com as atividades suspensas desde a semana passada por determinação do primeiro-ministro sob justificativa de que o governo “precisa de tempo para apresentar um programa legislativo nacional sólido" e a suspensão do Parlamento é "a forma legal e necessária de fazer isto”. 

A medida foi duramente criticada pela oposição e até por membros do Partido Conservador, que compõe o governo, por ser encarada como forma de evitar debates sobre o brexit.

A Casa tem reabertura prevista para 14 de outubro, a duas semanas do prazo estabelecido para a saída do bloco europeu. 

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