Democratas aprovam medida para acelerar inquérito de impeachment de Trump

Resolução permite investigação em ritmo acelerado e questionamentos mais severos de testemunhas

Washington | Reuters

O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA aprovou em votação nesta quinta-feira (12) a adoção de uma medida para intensificar a investigação de um possível impeachment do presidente Donald Trump.

A medida teve o apoio dos democratas, maioria na Casa e na comissão, e o voto contrário de todos os republicanos. 

A resolução permite que audiências sejam designadas como procedimentos de impeachment, o que abre a possibilidade para que testemunhas sejam questionadas de maneira mais dura e a investigação ande em ritmo mais acelerado. 

Essa é a primeira vez os legisladores votaram e aprovaram uma medida com este objetivo contra o atual presidente. 

O chefe do comitê juduciário da Câmara, o democrata Jerrold Nadler, durante sessão em Washington
O chefe do comitê juduciário da Câmara, o democrata Jerrold Nadler, durante sessão em Washington - Jonathan Ernst/Reuters

O Comitê Judiciário tomou medidas semelhantes nos anos 1970 e 1990, quando submeteu Richard Nixon (republicano) e Bill Clinton (democrata) a inquéritos de impeachment —o primeiro renunciou ao cargo antes do fim do processo e o segundo acabou absolvido no Senado. 

Os alvos do inquérito extrapolam a investigação sobre o possível papel de aliados de Trump na interferência russa na eleição presidencial de 2016.

Também devem ser apurados a participação de Trump nos pagamentos ilegais feitos para silenciar mulheres que teriam tido casos extraconjugais com ele, relatos de que teria prometido perdão presidencial a funcionários da imigração e investigações sobre benefícios ilegais a seus hotéis e resorts por meio de gastos governamentais.

Parlamentares republicanos oscilam entre criticar a mecânica da investigação dos democratas e rejeitar os esforços dos mesmos para submeter o presidente ao impeachment, dizendo que não passam de uma busca patética e vã por evidências inexistentes para afastar Trump do poder.

O processo é complicado, já que a Constituição americana tem regras que tornam extremamente difícil para o Congresso tirar um presidente do poder.

Após a Câmara aprovar o impeachment, o caso segue para o Senado, no qual são necessário os votos de dois terços de seus cem integrantes para o presidente ser condenado.

Os republicanos têm maioria na Casa, o que torna ainda menor a chance de aprovação da medida. 

Além disso, pesa contra o impeachment o fato de que a própria Câmara já derrubou o primeiro pedido de afastamento protocolado na Casa, em julho

A votação foi de 332 votos a favor da derrubada e 95 contra, com os líderes democratas, entre eles a presidente da Casa, Nancy Pelosi, somando-se à minoria republicana para barrar a medida.

 

Apesar de parte da oposição defender o impeachment do presidente, Pelosi e outros líderes têm insistido que o tema não deve avançar porque não há chance de aprovação no Senado.

Alguns democratas também temem que o assunto acabe fortalecendo Trump na eleição de 2020. 

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