Trump vai a hotel de Bolsonaro, mas não se encontra com presidente

Planalto ainda tenta agendar encontro com americano antes de fim da viagem à NY

Marina Dias Bruno Boghossian
Nova York

O presidente Donald Trump foi nesta segunda-feira (23) ao hotel onde Jair Bolsonaro está hospedado em Nova York, mas não se encontrou com o líder brasileiro.

Segundo integrantes do Planalto, a comitiva de Bolsonaro foi avisada de que o americano estaria no hotel para outras reuniões, e ainda insiste para que um encontro entre os dois seja marcado até esta terça (24).

Bolsonaro chegou ao hotel pouco antes das 17h desta segunda, e Trump deixou o local perto das 19h, depois de se reunir com os presidentes de Egito e Coreia do Sul. 

Donald Trump em encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na tarde desta segunda-feira (23)
Donald Trump em encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na tarde desta segunda-feira (23) - Saul Loeb/AFP

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, também estava no local.

Mais cedo, durante eventos na ONU, Trump foi questionado sobre um possível encontro com Bolsonaro.

Ateve-se a dizer que o brasileiro “é um bom homem”, mas não respondeu se iria encontrá-lo.

Em recuperação de uma cirurgia que corrigiu uma hérnia decorrente da facada que levou no ano passado, Bolsonaro já havia cancelado encontros bilaterais durante sua passagem pelos EUA, mas disse que jantaria com Trump mesmo assim.

Esse encontro, porém, não aparece na agenda oficial do brasileiro.

A comitiva de Bolsonaro informou que tentará acertar um encontro com Trump, embora a passagem reduzida do presidente por Nova York imponha limitações a essa agenda.

O presidente discursa na Assembleia Geral na manhã de terça (24) e volta a Brasília à noite.

O Planalto costurava uma série de encontros bilaterais entre Bolsonaro e outros chefes de Estado, mas cancelou todos as reuniões antes do embarque para os EUA.

Segundo o assessor para assuntos internacionais Filipe Martins, o presidente viajou com restrições médicas e preferiu não assumir compromissos.

“Ele achou que poderia ser ofensivo se encontrasse um líder e não tivesse possibilidade de encontrar outros”, afirmou.

Martins relatou que Bolsonaro sentiu desconforto durante o voo e precisou usar o quarto privativo no avião presidencial, algo considerado incomum em sua rotina.

Ele passou, no dia 8, pela quarta cirurgia após o ataque a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.

Além de reuniões com líderes políticos, Bolsonaro precisou desmarcar outros encontros.

Ele cancelou um jantar com empresários da comunidade judaica previsto para esta segunda-feira. O chanceler Ernesto Araújo participou de uma conversa com o grupo em seu lugar.

O único encontro de Bolsonaro previsto para esta viagem é uma visita do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, que também é advogado de Trump.

Ele vai ao hotel do presidente brasileiro nesta terça para entregar um presente.

Giuliani saiu em defesa de Bolsonaro em maio, quando o atual prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, fez críticas ao brasileiro às vésperas de uma viagem que acabou cancelada devido à possibilidade de protestos.

O principal item da agenda do presidente nesta semana é o discurso na ONU. Bolsonaro fez ajustes no texto que havia sido elaborado por Ernesto, Martins, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Eduardo Bolsonaro.

Segundo Martins, o presidente não tem preocupações com a duração do discurso, protocolarmente previsto para durar 20 minutos. No Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, Bolsonaro chamou a atenção ao falar por cerca de seis minutos —o tempo disponibilizado a ele era de 15 minutos.

“O presidente tem um estilo muito direto. Ele quer passar a mensagem, seja em cinco minutos ou em meia hora”, disse o assessor internacional do Planalto.

Bolsonaro descansou no hotel e se reuniu com ministros que integram sua comitiva. Enquanto isso, sua mulher, Michelle Bolsonaro, participou de um encontro de primeiras-damas organizado pela delegação do Paraguai.

Ela também tinha uma agenda prevista com a primeira-dama da República Dominicana. Na terça-feira, Michelle participa de evento da Unicef sobre crianças e pessoas com dificuldades de desenvolvimento e deficiências.

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