De direitos humanos a desmatamento, veja temas de discursos de presidentes brasileiros na ONU

Desde 1947, Brasil faz discurso inaugural da Assembleia Geral da organização

São Paulo

A defesa da democracia e dos direitos humanos têm sido uma constante nos discursos de abertura da Assembleia Geral da ONU nas últimas décadas, sempre proferidos por um representante brasileiro.

Michel Temer reforçou a solidez das instituições democráticas do país, e Collor, da América Latina, enquanto Sarney celebrou o fim da ditadura.

A economia também esteve presente diversas vezes nas falas, com Fernando Henrique Cardoso propondo uma "globalização solidária" após Collor ter comentado a abertura pela qual o Brasil passava na década de 1990.

Já o desmatamento, que deve dar a tônica do discurso de Bolsonaro na 74ª edição do evento, que começa nesta quarta (24), em Nova York, também foi comentado por Dilma em 2015.

2018 - Michel Temer

Em seus quase 21 minutos de fala, Temer criticou “recaídas unilaterais” e a intolerância no mundo e reforçou que o Brasil era uma democracia de instituições sólidas. “O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso."

2015 - Dilma Rousseff 

Em seu último discurso, a presidente —que foi a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU— falou do combate ao desmatamento, da crise de refugiados, admitiu o desgaste do modelo de crescimento econômico no Brasil e condenou a corrupção. “Nós, os brasileiros, queremos um país em que a lei seja o limite. Muitos de nós lutamos por isso, justamente quando as leis e os direitos foram vilipendiados durante a ditadura."

2009 - Lula

Em seu último discurso, Lula falou sobre da crise econômica mundial, criticou mercados que pretendiam dispensar a regulação do Estado e pediu maior comprometimento da ONU com questões como o crescimento da África, os direitos humanos e o combate ao desarmamento e à proliferação nuclear. “Mais do que a crise dos grandes bancos, essa é a crise dos grandes dogmas. O que caiu por terra foi toda uma concepção econômica, política e social tida como inquestionável."

2001 - Fernando Henrique Cardoso

O presidente discursou apenas uma vez na Assembleia Geral da ONU. Realizada dois meses após os ataques de 11 de Setembro, sua fala propôs uma “globalização solidária”, pediu a criação de um Estado palestino e trouxe críticas aos EUA. “É importante termos consciência de que o êxito na luta contra o terrorismo não pode depender apenas da eficácia das ações de autodefesa ou do uso da força militar de cada país."

1990 - Fernando Collor

Collor criticou a presença de tropas estrangeiras no Líbano, comentou a abertura econômica pela qual passava o Brasil, o combate à inflação e à miséria e a vocação democrática da América Latina. “Para que não se converta em fórmula estéril ou em disfarce de uma crise política mais profunda, o 'novo multilateralismo' há de ser realmente inovador e atento ao imperativo da representatividade."

1985 - José Sarney

Primeiro civil a presidir o país após a ditadura, Sarney falou do combate à fome, condenou o apartheid na África do Sul e celebrou o fim da ditadura. “O Brasil acaba de sair de uma longa noite. Não tem olhos vermelhos de pesadelo. Traz nos lábios um gesto aberto de confiança e um canto de amor à liberdade."

56

é o número de diplomatas, servidores e funcionários contratados localmente que participam da Missão do Brasil junto às Nações Unidas, localizada em Nova York

R$ 26 milhões

é o valor do orçamento da missão brasileira na ONU em 2018 

Erramos: o texto foi alterado

Na galeria "Presidentes brasileiros na Assembleia Geral da ONU", faltou esclarecer que José Sarney foi o primeiro civil a presidir o país após a ditadura militar, não o primeiro civil a ser presidente. A informação foi corrigida.

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