Ex-executivo confirma identidade de políticos peruanos nas planilhas da Odebrecht

Jorge Barata teria citado ex-presidente e ex-parlamentares, diz jornal

Katna Baran
Curitiba

Em meio à crise que atinge a política peruana, o ex-chefe da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, depôs nesta segunda-feira (2) em Curitiba a procuradores do país.

O procurador da Lava Jato peruana Rafael Vela confirmou ao jornal El Comercio que Barata revelou a identidade de apelidos que constavam nas planilhas do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, setor responsável pelos pagamentos de propinas feitos pela empreiteira. 

O Peru é um dos países mais afetados pelo escândalo de corrupção da empreiteira brasileira, que admitiu ter pago ao menos US$ 29 milhões em subornos ao longo de três governos peruanos.

Jorge Barata
O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, deixa o hotel para prestar depoimento em Curitiba em abril - Heuler Andrey - 25.abr.2019/AFP

Segundo o jornal peruano, os procuradores esperavam descobrir as identidades de 71 codinomes utilizados nos registros da empresa.

Um deles, "Oriente", teria sido identificado por Barata como o ex-presidente Alejando Toledo, que atualmente está detido nos Estados Unidos e responde a um processo de extradição para o Peru. 

A publicação também relatou que Barata afirmou não ter certeza se o apelido "Sipan" se referia a Javier Velásquez Quesquén, parlamentar que integrava o congresso dissolvido na segunda (30), ou ao ex-congressista Yehude Simon —em todo caso, disse ter pago valores aos dois. 

O advogado do ex-executivo, Carlos Kauffmann, e os procuradores não confirmaram as informações que ligariam os políticos aos respectivos apelidos. 

Kauffmann afirmou que a Odebrecht não possui condições financeiras para viabilizar o acordo de leniência que firmou com as autoridades peruanas.

Segundo ele, o processo de falência da Odebrecht na Justiça brasileira atrapalha a destinação de recursos para colaborar com as investigações realizadas no Peru.

“O que precisamos é ter condições financeiras para poder continuar nesse acordo. A busca de informações demanda pesquisa, reuniões de trabalho, viagens de vários funcionários. Temos que ter condições até materiais para continuar colaborando com as autoridades”, declarou ao final do depoimento do seu cliente.

Apesar disso, o defensor afirmou estar confiante na viabilidade do acordo firmado pela empresa. “Jorge Barata mantém seu compromisso de ajudar as autoridades a buscar as informações”, disse. O ex-executivo deve depor novamente em novembro. 

Vela defendeu o comprometimento de ambos os lados no cumprimento do acordo e disse que pressões políticas do Peru não devem interferir nas investigações.

“Qualquer outro tipo de intromissão ou de comentário que não diz respeito ao plano estritamente técnico é inadequado para o desenvolvimento de nossas atividades porque gera turbulência e especulações a respeito de motivações”, declarou.

A força-tarefa do Peru ficará no Brasil até sexta (4) e planeja ouvir ainda o ex-diretor Eleuberto Martorelli, que atuou no escritórios peruano e colombiano da empresa. 

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