Suspeitos de matar família de mórmons no México usaram armas americanas

Massacres nos EUA inflamam debate sobre restrição a venda de armamentos pesados

Bavispe (México) | Reuters

Os suspeitos de assassinar três mulheres e seis crianças de uma comunidade mórmon no norte do México usaram armas americanas, afirmou o governo local. 

A informação foi divulgada na noite desta quarta (6) pelo ministro de Segurança, Alfonso Durazo, que disse que as cápsulas encontradas na cena do crime eram da fabricante americana Remington.

Membros da família assassinada observam carro que foi queimado
Membros da família assassinada observam carro que foi queimado durante o ataque em Bavispe, no estado de Sonora, norte do México - Jose Luis Gonzalez - 5.nov.2019/Reuters

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu ajuda e afirmou que gostaria de partir para o confronto contra os grupos armados que atuam na região.

“Este é o momento para que o México, com ajuda dos EUA, declare guerra aos cartéis de droga e os apague da face da Terra. Esperamos apenas uma chamada de seu grande novo presidente”, tuitou Trump.

O mandatário mexicano, Andrés Manuel López Obrador, discordou. “Respeitamos os que pensam assim. O pior que pode haver é guerra. Guerra é sinônimo de irracionalidade.” 

Antes da confirmação da origem do armamento utilizado, o líder mexicano apontou que 75% das armas de alto calibre no México vêm dos EUA e pediu que as autoridades americanas cooperassem para reduzir esse fluxo.

As novas informações estimularam o debate sobre a adoção de restrições à compra de armamentos pesados nos EUA, que têm sido palco de repetidos assassinatos em massa por armas de fogo. 

Nesta quarta (6), autoridades mexicanas prenderam um suspeito. Identificado apenas como Pablo, ele foi detido em Agua Prieta, fronteira com o estado americano do Arizona, mantendo dois reféns amordaçados e amarrados dentro de um veículo —essas pessoas não estariam relacionadas ao atentado.

Ele levava diversos rifles e uma grande quantidade de munição.

Segundo os investigadores, Pablo poderia ter confundido o comboio dos mórmons, que viajavam em três carros, com veículos de uma gangue rival. 

Ao ser preso, ele disse às autoridades que é membro do La Linea, braço armado do cartel de drogas Juarez, que disputa o território do atentado com o cartel de Sinaloa.

Há evidências que apontam para a teoria de que a família foi alvo deliberado do ataque, segundo uma autoridade americana. A ideia é baseada na natureza do atentado, que se desenrolou como uma emboscada que continuou mesmo após mulheres e crianças fugirem dos carros.

Houve também queima de provas.

A autoridade informou ainda que a família era conhecida pelos cartéis da região, o que tornava possível que os criminosos soubessem que eles estavam viajando e conhecessem os veículos que usavam.

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