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Oriente Médio é cipoal de alianças e conflitos

Crise entre EUA e Irã pode ter dado respiro momentâneo, mas turbulência seguirá nesta e em outras crises da região

São Paulo

A frágil distensão na fase atual da crise entre os Estados Unidos e o Irã, que atingiu o paroxismo na semana passada com o ataque de Teerã a bases americanos no Iraque, escamoteia o cipoal de conflitos e alianças que marca o Oriente Médio.

Os iranianos prometeram vingança contra o assassinato de seu principal militar pelos EUA no dia 3, mas a disputa entre os dois países remonta à ruptura promovida pela Revolução Islâmica de 1979.

A continuidade da disputa é certa, não menos porque à frente estão a discussão do acordo nuclear do Irã e o risco de retaliações pela morte do general Qassim Suleimani.

Assim como é garantida a sequência da série de conflitos cruzados na região, em que alianças se formam pontualmente, só para serem desafiadas por crises diversas.

​O Oriente Médio é historicamente palco de embate entre potências estrangeiras, dada sua estratégica posição física entre Europa e Ásia, e, claro a partir do século 20, à enorme riqueza em hidrocarbonetos.

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA eram árbitros finais de conflitos, mas sua gradual saída após o desastre da intervenção no Iraque em 2003 levou à ascensão da Rússia como grande ator externo, a partir da ação do Kremlin para salvar a ditadura síria em 2015.

Por seu peso militar e ambição, a Turquia vem crescendo em importância em diversos conflitos —da Síria à Líbia.

Um grande pano de fundo presente nas rivalidades é a rixa dentro do Islã, religião de aproximadamente 95% dos 336 milhões de habitantes do Oriente Médio.

O ramo majoritário, sunita, é liderado pela Arábia Saudita. O xiismo minoritário tem seu centro no Irã, e a flexão de músculos políticos e militares para a hegemonia regional reflete essa dicotomia.

Por fim, há a presença de Israel, cuja própria existência é questionada por vizinhos, 72 anos após sua fundação. O Estado judeu catalisa divergências e exerce papel estratégico para as potências de fora —é aliado dos EUA e mantém boa relação com o Kremlin.

No quadro abaixo, a Folha destaca algumas das principais relações atuais e os conflitos do Oriente Médio.

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