Petrobras e empresa saudita suspendem trânsito de navios pelo estreito de Hormuz

Passagem marítima fica próxima ao Irã, que realizou ataque contra o Iraque nesta quarta

São Paulo

A Petrobras alterou ou suspendeu a rota de navios que passariam pelo estreito de Hormuz, no Oriente Médio, devido à crise no Irã, para evitar riscos à segurança dos navios. 

"A companhia avaliou o referido cenário e, em conjunto com a Marinha do Brasil, decidiu por evitar, no momento, o trânsito pelo estreito de Hormuz", disse a empresa à Folha, em notaO desvio nas rotas foi revelado inicialmente pela agência Dow Jones. 

Petroleiros no estreito de Hormuz - Hamad I Mohammed - 21.dez.2018/Reuters

"Tal mudança não trará qualquer impacto ao abastecimento de combustíveis no Brasil. Os desdobramentos locais seguem sendo monitorados e avaliados", afirma a estatal. 

A empresa saudita de transporte de petróleo Bahri também avisou a seus clientes que seus navios deixarão de passar pelo estreito, ao menos até a tarde desta quarta-feira (8), na hora local, segundo o Wall Street Journal.

Cerca de 20% da produção mundial de petróleo passam pelo estreito de Hormuz, que fica entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. A dificuldade na circulação marítima ali pode gerar alta no preço do petróleo no mundo. 

A tensão no Oriente Médio atingiu níveis elevados nos últimos dias. Um ataque feito pelos Estados Unidos matou, no Iraque, o general Qassim Suleimani, considerado a segunda maior autoridade do Irã, na sexta-feira (3).

Em represália, o Irã bombardeou duas bases militares com americanos no Iraque na quarta (8). Segundo os EUA, não houve mortos nem feridos. 

Nesta quarta, o presidente Donald Trump disse, em um discurso, acreditar que o Irã "está se acalmando". Ele prometeu novas sanções ao país e afirmou que não quer mais usar força militar contra os iranianos.

Após as declarações de Trump, o preço do barril tipo Brent teve ligeira queda e era cotado em 65,89 dólares por volta das 14h desta quarta. O valor é 3,49% menor do que no dia anterior, segundo a BBC. 

O Brasil se envolveu em uma polêmica com o Irã nos últimos dias depois que o Itamaraty divulgou uma nota endossando a operação que matou Suleimani.

A encarregada de negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada pelas autoridades iranianas para dar explicações. No encontro, ela disse que a posição do governo Jair Bolsonaro não deve ser entendida como uma manifestação contra o Irã

A região de Hormuz viveu dias de tensão no ano passado, com uma onda de ataques a navios e instalações petrolíferas. 

Em julho, o Irã apreendeu um petroleiro sueco que passava pelo local, em represália à captura de um navio iraniano no estreito de Gibraltar.

Em setembro, houve um bombardeio em refinarias sauditas, que foi reivindicado por rebeldes houthis, aliados do Irã. O país negou ter relação com os atos. 

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