Ataque no Iraque foi 'tapa na cara' dos EUA, diz líder supremo do Irã

Governo iraquiano foi avisado de ataque pouco antes dos disparos

Teerã, Bagdá e Jerusalém | AFP e Reuters

Horas depois do ataque feito pelo Irã a bases militares americanas no Iraque, o governo iraniano celebrou a operação, cujos detalhes vão sendo conhecidos aos poucos.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse em discurso na TV que o ataque foi um "tapa na cara" dos Estados Unidos. "O que importa é que a presença corrupta dos Estados Unidos nesta região tem que terminar", frisou.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante discurso em Teerã - AFP

Khamenei já havia pedido uma vingança implacável pela morte de Qassim Suleimani, o general morto em 3 de janeiro em um ataque americano perto do aeroporto de Bagdá.

Por volta de 1h30 desta quarta (19h em Brasília), o Irã ​disparou ao menos 16 mísseis balísticos contra duas bases americanas no Iraque, uma em Ain al Assad, no oeste do país, e outra próxima ao aeroporto de Erbil, capital da região autônoma do Curdistão, no norte.

O Pentágono confirmou os ataques, mas não falou sobre vítimas dos EUA. O Exército iraquiano disse que não teve perdas entre seus soldados. 

Mas a TV estatal iraniana informou que 80 militares americanos morreram no ataque, citando uma fonte da Guarda Revolucionária, divisão responsável pela operação. Afirmou também que teria havido grande perda de equipamentos militares, como helicópteros.

O presidente do Irã, Hasan Rowhani, disse que a resposta final do país à morte de Suleimani será a expulsão de todas as forças dos EUA da região. "O general Suleimani lutou heroicamente contra o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Se não fosse por sua guerra ao terror, capitais europeias estariam em grande perigo agora", publicou em uma rede social. 

O governo iraquiano revelou nesta quarta que foi informado pelo Irã de que haveria um ataque iminente contra bases em seu território. "Recebemos uma mensagem verbal oficial do Irã de que a resposta ao assassinato de Qassim Suleimani tinha começado ou ia começar em instantes, e que o ataque seria limitado aos locais onde estão instaladas as forças dos Estados Unidos, sem precisar os locais", disse o gabinete do premiê Adel Abdul Mahdi, em comunicado. 

Enquanto os mísseis atingiam as bases, o governo iraquiano recebeu uma ligação dos EUA para tratar desse assunto, segundo a nota.  

Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, advertiu o Irã, nesta quarta, que dará uma resposta "retumbante" caso seu país seja atacado.

No domingo, uma autoridade iraniana havia ameaçado transformar cidades israelenses em "pó", "se os Estados Unidos reagirem à resposta militar" iraniana, após a morte de Suleimani.

Nesta quarta, Netanyahu classificou Suleimani de "chefe terrorista" e de "arquiteto da campanha de terror" no Oriente Médio.

O premiê israelense, que considera o Irã o principal inimigo de Israel, manifestou sua solidariedade aos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva em Jerusalém, na presença do embaixador americano em Israel, David Friedman.

Além dos ataques, o país registrou também a queda de um avião ucraniano logo após a decolagem do aeroporto internacional de Teerã. O voo se dirigia a Kiev e caiu após poucos minutos no ar. Todas as 176 pessoas a bordo morreram.

O Irã registrou ainda um pequeno terremoto. Um tremor de magnitude 4,5 foi registrado nesta quarta (8), em uma região do sudoeste do Irã, onde fica a central nuclear de Bushehr, e deixou sete feridos, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). 

O sismo ocorreu a 10 quilômetros de profundidade, às 6h49 locais (0h19 em Brasília) e afetou uma zona situada 17 quilômetros ao sudeste da cidade de Borazjan.
 

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