Bloomberg desiste de corrida democrata e apoiará Biden

Saída ocorre depois de fracasso do bilionário na Super Terça, que gastou US$ 750 milhões em campanha

Miami | Reuters

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg desistiu de disputar a Presidência dos EUA nesta quarta-feira (4), horas após a divulgação dos resultados da Super Terça. Ele apoiará o ex-vice-presidente Joe Biden.

"Um caminho viável para a nomeação [como candidato democrata] não existe mais", disse Bloomberg, em comunicado. "Entrei na corrida para vencer Donald Trump. Hoje, eu saio pela mesma razão. Vencer Trump começa com uma união pelo candidato com a melhor chance de fazer isso. Está claro que é o meu amigo e grande americano Joe Biden."

O ex-prefeito de Nova York e pré-candidato democrata Michael Bloomberg durante compício em West Palm Beach, na Flórida
O ex-prefeito de Nova York e pré-candidato democrata Michael Bloomberg durante compício em West Palm Beach, na Flórida - Alejandra Cardona/Reuters

Bloomberg gastou cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,2 bilhões) em anúncios para esta etapa da disputa, mas não venceu as primárias de nenhum dos 14 estados em jogo nesta rodada. Ele foi líder apenas no território de Samoa Americana, que tem direito a seis delegados, de um total nacional de 2.991.

Ele levou também alguns delegados nos Estados. Na reta final da apuração, às 12h em Brasília, ele somava ao todo 12 delegados, segundo o New York Times.

Os delegados conquistados por Bloomberg ficam livres para votar em outro nome. Pode haver, no entanto, uma tendência para que eles apoiem Biden.

Com a saída de Bloomberg, seguem na disputa apenas Biden, o senador Bernie Sanders, a senadora Elizabeth Warren e a deputada Tulsi Gabbard.

O ex-prefeito e bilionário entrou na campanha em novembro, seis meses depois da maioria dos competidores, e fez investimentos pesados de cerca de US$ 750 milhões (R$ 3,4 bilhões) ao todo na campanha. O dinheiro vem de sua própria fortuna, avaliada em torno de US$ 55,5 bilhões.

Bloomberg contratou milhares de funcionários e projetou uma grande turnê pelo país, visando um bom desempenho na Super Terça, mas a estratégia não deu certo.

Antes, ele havia decidido não concorrer nas quatro primeiras prévias do processo —Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul—, algo que um vencedor das primárias democratas nunca fez.

Apesar do revés na Super Terça, Bloomberg havia adotado um discurso positivo em comício na Flórida na noite de terça (3) e destacou que, "em apenas três meses, nós saímos de 1% nas pesquisas para ser um competidor para a nomeação democrata a presidente".

grande vencedor da noite foi Joe Biden, que levou ao menos nove dos estados da Super Terça, incluindo o Texas, com 228 delegados. Sanders deve levar outros quatro, entre os quais a Califórnia, onde 415 delegados estão em disputa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não passou batido pelo desempenho do rival. Na madrugada de quarta (4), antes do anúncio da desistência, o republicano escreveu no Twitter que "Mini Mike", como Bloomberg é chamado de forma jocosa por Trump, era "o maior perdedor da noite".

"Seus consultores 'políticos' o levaram para passear. US$ 700 milhões foram pelo ralo, e ele não conseguiu nada além do apelido de Mini Mike e a completa destruição de sua reputação. Muito bem, Mike!"

Mais tarde, já depois da notícia de que o democrata havia deixado a corrida, o presidente voltou a atacá-lo. "O aproveitador Mini Mike Bloomberg, junto com seu amigo louco, Tom Steyer, descobriram da maneira mais difícil que não se pode comprar a eleição! Ambos desejam ter que fazer tudo de novo!"

​​Bloomberg foi alvo de críticas por ampliar, quando prefeito, a prática de "parar e revistar", política de segurança que encorajou a polícia a abordar mais pessoas nas ruas, e que acabou tendo como foco um número desproporcional de negros e de latinos.

 
 

Ele também foi criticado em dois debates por atitudes sexistas do passado, incluindo acordos sigilosos com ex-funcionárias por comentários desrespeitosos, e se mostrou pouco carismático ao falar em público.

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