Governo da Holanda volta atrás e permite que lojas que vendem maconha continuem abertas

Decisão anterior levou holandeses a fazerem fila em frente aos coffeeshops, no domingo (15)

Bruxelas

Quando o governo holandês avisou, no domingo (15), que restaurantes, bares e coffeeshops ficariam fechados pelo menos até 6 de abril, como medida de combate ao coronavírus, longas filas se formaram na porta da loja.

Os consumidores queriam fazer estoques antes das 18h, quando a medida de isolamento passaria a valer.

Mas não era corrida para comprar água ou macarrão, muito menos papel higiênico, como em outros países. Na Holanda, as filas eram para comprar maconha.

Holandeses fazem fila em frente a coffeeshop para comprar maconha
Holandeses fazem fila em frente a coffeeshop para comprar maconha - Jan Van Dasler - 15.mar.20/Reuters

Coffeeshop é o nome que se dá aos lugares que até vendem café, mas têm na cannabis seu principal produto, sob regras no mínimo heterodoxas: vender maconha é proibido, mas a Holanda adota a "política da tolerância".

O argumento é que a erva é uma droga leve, que causa muito menos prejuízo individual e público que as legalizadas bebidas alcoólicas. O mercado tolerado existe há pelo menos quatro décadas, e, além do público local, atrai cerca de 1,5 milhão de turistas apenas em Amsterdã.

As licenças de funcionamento são limitadas, cerca de 150 em todo o país, e podem ser cassadas a qualquer momento.

Para evitar esse risco, os coffeeshops devem vender no máximo 5 gramas de maconha por pessoa, nunca para menores de idade, e não podem ter mais do que 500 gramas no estabelecimento.

Esse limite de estoque é o que dificulta bastante a logística da coisa e provocou as longas filas aos domingos. Os cardápios dos coffeeshops incluem pelo menos dez tipos diferentes de erva, índica ou sativa, com mais ou menos THC (componente que altera a consciência), com mais ou menos CBD (componente terapêutico), solta ou já enrolada, pura ou misturada com tabaco.

Haxixe, resina derivada da mesma planta, também é vendida.

Com toda essa variedade, a quantidade máxima de cada tipo gira em torno de 50 gramas.

Se dez clientes comprarem o limite máximo, o dono da loja terá que repor rapidamente o fornecimento (comprando de um traficante ilegal, sob a tolerância do governo).

E, se normalmente já é preciso receber duas ou três entregas diárias dos tipos mais procurados (em Amsterdã, é a chamada de Amnésia), em dia de pânico as prateleiras se esvaziaram muito mais rapidamente.

Mas a abstinência holandesa durou pouco. Nesta terça, o governo voltou atrás e permitiu que os estabelecimentos retomem a venda, desde que o consumo seja feito em casa.

Um dos motivos da mudança, tomada após uma reunião entre prefeitos, polícia e Justiça, foi reprimir o tráfico ilegal. Segundo a imprensa holandesa, assim que a proibição começou a valer, estudantes começaram a receber mensagens com ofertas de maconha e traficantes surgiram às ruas para atender a demanda reprimida.

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