Europa aperta medidas contra coronavírus e tenta conter pânico

Alemanha e França proíbem reuniões com mais de mil pessoas; Reino Unido monta equipe contra fake news

Amsterdã

Diversos países europeus anunciaram nesta segunda (10) medidas mais drásticas para contar a epidemia de covid-19 (doença causada pelo coronavírus Sars-Covid-2).

Mais de 15 mil pessoas já receberam diagnóstico da doença no continente, e 543 morreram até esta segunda (9).

Alemanha, França, Áustria e Romênia decidiram proibir reuniões de mais de mil pessoas, com exceções para estações de transporte público e manifestações.

A França teve mais quatro mortes nesta segunda, chegando a um total de 25, e 286 novos casos de infecção desde o último boletim. Com cerca de mil doentes, a Alemanha registrou hoje as primeiras mortes por covid-19, e a Polônia anunciou controle sanitário em quatro postos na fronteira alemã e em um na República Tcheca.

Na Espanha, foram fechadas todas as instituições escolares, das creches às universidades, em Madri e em Vitória (no País Basco).

Já o governo britânico decidiu em reunião nesta segunda (9) não avançar para a segunda fase de resposta ao coronavírus, que exigiria medidas mais drásticas de redução de mobilidade. O objetivo é evitar o pânico, que considera mais prejudicial tanto para o sistema de saúde quanto para os negócios. .

Os britânicos estão montando uma força-tarefa para identificar fake news ou desinformação e responder com orientações corretas.

No domingo, redes de supermercados passaram a racionar a venda de produtos como água, leite longa vida, macarrão e enlatados, porque uma corrida para fazer estoques começou a esvaziar prateleiras. Pesquisa feita nesta segunda pelo instituto YouGov mostrou que 83% dos britânicos apoiam o racionamento, e 8% reprovam.

Nesta segunda-feira, a Itália começou a montar pontos de controle nas rodovias, estações de trem e aeroportos de 15 províncias do norte do país, que estão sob quarentena desde domingo. Idas e vindas devem ser reduzidas apenas a casos extremos, como emergências médicas ou compromissos profissionais inadiáveis.

Cerca de 16 milhões de pessoas vivem nas regiões que o governo pretende manter isolada até ao menos 3 de abril. Viagens aéreas e de trem para as principais cidades, como Milão e Veneza, continuavam normalmente no domingo, o que elevou a preocupação no sul do país e em outros países.

A imprensa europeia relatou corridas às estações e aeroportos para deixar a zona de quarentena antes que os controles fossem impostos, o que pode ter espalhado ainda mais o coronavírus.

Com 9.172 doentes e 463 mortos, segundo balanço oficial divulgado ao anoitecer desta segunda, a Itália é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, atrás apenas da China (80.735 doentes e 3.119 mortos). A Coreia do Sul tem 7.382 casos de covid-19, mas apenas 50 mortes.

Além da restrição de mobilidade no norte da Itália, museus, casas de espetáculo e outros pontos de aglomeração foram fechados em todo o país, e casamentos, missas e funerais, suspensos. O decreto também estabelece que as pessoas fiquem a pelo menos um metro de distância das outras em mercados, restaurantes ou igrejas.

Em Londres, aterrissaram 17 voos vindos de Milão, e os passageiros desembarcaram sem nenhum tipo de controle sanitário, segundo o jornal britânico The Telegraph. Companhias aéreas anunciaram que reduziriam voos a partir de hoje.

A Hungria interrompeu todos os voos para o norte da Itália e a concessão de vistos para iranianos. Também cancelou as cerimônias de seu dia nacional, 15 de março, e suspendeu visitas a hospitais.

A Suíça anunciou o fechamento de sua fronteira com a Itália, a não ser para quem comprove que trabalha no país vizinho —cerca de 80 mil italianos atravessam diariamente a fronteira com a Suíça para trabalhar, segundo o governo suíço.

Enquanto os maiores países da Europa lançam medidas de controle, alguns dos menores, como Bélgica, Holanda, Lituânia e Estônia, se queixam de falta de solidariedade.

Na última sexta, ministros da Saúde desses países reclamaram em reunião em Bruxelas que Alemanha e França estão bloqueando a exportação de produtos como máscaras de proteção e deixando de honrar contratos.

Reuniões internacionais na sede da União Europeia, porém, devem ficar cada vez mais raras. Nesta segunda, o Conselho Europeu (que reúne os chefes de governo dos 27 países membros) anunciou que reduzirá os encontros ao mínimo necessário e cortará o tamanho das equipes de assessores que acompanham primeiros-ministros e presidentes. Foram suspensas todas as visitas de grupos e programas de treinamento na instituição.

​A epidemia está afetando também o funcionamento de Legislativos europeus, depois de casos confirmados de infecção de parlamentares por coronavírus.

Os eurodeputados transferiram a sessão plenária semanal, que normalmente acontece em Estrasburgo, para Bruxelas, mas a liderança do bloco Renew Europe quer suspender totalmente o encontro e reduzir os trabalhos a apenas o indispensável.

No Reino Unido, o presidente da Câmara dos Comuns (equivalente à Câmara dos Deputados), Lindsay Hoyle, decidiu não fechar o Parlamento britânico, mas manteve a possibilidade aberta para o futuro. Na semana passada, a imprensa do país afirmou que a ideia seria parar os trabalhos até setembro, medida criticada pelo primeiro-ministro, Boris Johnson.

Em Portugal, o presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu entrar voluntariamente em quarentena por duas semanas, depois de confirmada a infecção de um estudante de uma escola do norte do país. Sousa havia recebido a visita de um grupo da mesma escola. O presidente não tem sintomas da doença.

Israel impõe quarentena a todos que chegarem ao país

Além da Europa, as restrições também crescem em outras regiões do mundo. Qualquer pessoa que chegar a Israel deverá ficar em quarentena por 14 dias. A medida será válida por duas semanas, afirmou nesta segunda-feira o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O país já havia imposto restrições a viajantes que chegavam da Itália e outros países como a França.

As medidas foram estabelecidas um mês antes do Pessach, a Páscoa judaica, que será comemorada em 8 de abril. Normalmente, dezenas de milhares de judeus viajaram a Israel para celebrar a data.

Com AFP

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