Descrição de chapéu Coreia do Norte

Após reaparição de Kim Jong-un, Coreias trocam tiros na Zona Desmilitarizada

Escalada na tensão acontece após semanas de rumores sobre a saúde do ditador

Seul | AFP

Tropas da Coreia do Norte dispararam na noite deste sábado (2), no horário local, em direção à Coreia do Sul, que revidou a agressão. As informações são de Seul.

A troca de tiros na Zona Desmilitarizada, que divide os dois países, acontece um dia depois da reaparição do ditador norte-coreano Kim Jong-un, cujo paradeiro era desconhecido desde 11 de abril.

Na sexta (1º), a agência de notícias estatal da Coreia do Norte reportou a participação do ditador na inauguração de uma fábrica de fertilizantes em Sunchon, ao norte de Pyongyang.

Apesar de uma base sul-coreana ter sido atingida no tiroteio, não houve vítimas.

Soldados sul-coreanos patrulham a Zona Desmilitarizada, que divide península coreana entre Coreia do Sul e Coreia do Norte
Soldados sul-coreanos patrulham a Zona Desmilitarizada, que divide península coreana entre Coreia do Sul e Coreia do Norte - Ed Jones -23.abr.2020- AFP

"Nossos soldados responderam com duas séries de disparos e uma mensagem de advertência, de acordo com nosso protocolo", afirma Seul sobre o incidente.

O Exército do país diz estar em contato com os vizinhos do norte por meio de uma linha telefônica direta para apurar quais foram as causas do incidente.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, por sua vez, disse acreditar que os disparos norte-coreanos foram acidentais. ​

A troca de hostilidades acontece depois de semanas de rumores sobre a saúde do ditador da Coreia do Norte.

Alguns veículos chegaram a especular até mesmo a morte de Kim Jong-un dado seu sumiço por quase um mês —ele não compareceu ao evento que celebra o aniversário de nascimento de seu avô e fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, em 15 de abril.

Tanto o regime quanto Coreia do Sul e 
Estados Unidos, que costumam acompanhar a situação na Coreia do Norte, porém, negavam os rumores sobre o estado de saúde do ditador.

Em sua reaparição, na noite de sexta (sábado na Coreia do Norte), Kim parecia apresentar dificuldades para se locomover —o movimento de suas pernas aparentava rigidez, e ele se deslocou em um carrinho de golfe—, além de uma marca no punho, que poderia indicar uma perfuração na artéria radial direita, comumente usada para chegar às artérias coronárias para a implementação de stents.

Montagem compara o punho de Kim Jon-un sem (esq.) e com marca (dir.); primeira foto é de 11 de abril e a segunda é desta sexta (1º)
Montagem compara o punho de Kim Jon-un sem (esq.) e com marca (dir.); primeira foto é de 11 de abril e a segunda é desta sexta (1º) - KN News, a partir de imagens da KCTV

Oficiais da Coreia do Sul, entretanto, desconsideram a possibilidade neste domingo (3).

De acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap, Seul tem informações suficientes para concluir que esse não é o caso.

Na terça (28), o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Kim Yeon-chul, afirmou que o medo de se contaminar com o novo coronavírus pode ter sido o motivo do sumiço. O regime norte-coreano afirma, entretanto, 
que não há casos confirmados da Covid-19 no país.

Os vizinhos da península coreana passavam por uma desescalada de tensões desde 2018, quando os países chegaram a um acordo durante uma cúpula em Pyongyang. Desde então, entretanto, o norte tem cortado por longos períodos sua comunicação com o sul.

As discussões entre a Coreia do Norte e os EUA sobre o arsenal nuclear de Pyongyang também estão paralisadas, apesar das três reuniões já realizadas entre Kim Jong-un e Donald Trump, que inclusive comemorou a reaparição do ditador via Twitter.

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