Ataques do Taleban deixam 36 mortos e evidenciam ano sangrento da guerra civil no Afeganistão

Grupo fundamentalista islâmico viola acordo de paz assinado com os Estados Unidos

Cabul | AFP e Reuters

A explosão de um carro-bomba deixou 11 mortos e dezenas de feridos, nesta segunda-feira (13), em um dos quatro ataques realizados pelo Taleban, grupo fundamentalista islâmico que se insurge contra o governo do Afeganistão apoiado pelos Estados Unidos.

Nas últimas 24 horas, pelo menos 25 membros das forças de segurança morreram durante os atos terroristas nas províncias de Badakshan, Kunduz e Parwan.

O ataque desta segunda ocorreu em um prédio do governo em Aybak, capital da província de Samangan, no norte do país. Perto dali, fica um escritório da Direção de Segurança Nacional, a principal agência de inteligência do Afeganistão.

De acordo com um porta-voz do governo de Samangan, a explosão do carro-bomba abriu caminho para quatro homens armados que entraram no edifício atirando. O confronto só terminou depois de quatro horas, quando os terroristas foram mortos pelas forças de segurança afegãs.

Agentes afegãos inspecionam o prédio atingido por um carro-bomba, em Aybak, norte do Afeganistão - AFP

O governador da província, Abdul Latif Ibrahimi, disse que os 11 mortos eram membros da segurança do edifício e que 63 pessoas, incluindo civis, ficaram feridas.

Em um comunicado, o Taleban assumiu a autoria da explosão. O grupo, que já esteve no poder no Afeganistão, recorre ao terrorismo em uma onda crescente de violência no norte do país, que marca um dos anos mais violentos da história do conflito civil.

Os ataques violam o acordo de paz entre EUA e Taleban, assinado em fevereiro, segundo o qual o Taleban reduziria seus níveis de violência.

Os termos do acordo, entretanto, foram alvo de críticas de autoridades do país porque garantem a segurança de alvos americanos, e não dos afegãos, os mais atingidos pelo terrorismo do grupo.

Além disso, dias depois do acerto, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, rejeitou uma das demandas do Taleban, que pede a libertação de milhares de prisioneiros como condição para continuar as negociações pela paz.

O acordo previa, em um primeiro momento, a soltura de cerca de 5.000 prisioneiros ligados ao grupo fundamentalista. Em troca, o Taleban libertaria outros mil presos.

Segundo Ghani, entretanto, seu governo não se comprometeu com esses números e "não é da competência dos EUA decidir [sobre a questão]".

O impasse perdurou por algumas semanas, mas o governo afegão, sob pressão dos EUA, iniciou uma libertação gradual dos prisioneiros. Mais de 4.000 talebans foram soltos desde então.

Ghani e as autoridades do país, entretanto, argumentam que parte dos demais prisioneiros são acusados de crimes graves e considerados perigosos. Não poderiam, portanto, ser postos em liberdade.

O governo sugeriu que o Taleban propusesse novos nomes em substituição aos membros que devem continuar presos, mas a decisão dos insurgentes ainda não ficou clara.

A onda de ataques desta segunda deve complicar as negociações, visto que os termos do acordo de paz previam a reversão do processo caso houvesse um retorno da violência.

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