Descrição de chapéu Caixin China

Eleições parlamentares serão marco divisório na história de Hong Kong

Votação em setembro servirá de indicador para o futuro, mas nova legislação pode anular candidaturas

Lu Zhenhua Wei Yiyang
Caixin

Hong Kong se prepara para promover a primeira eleição do Conselho Legislativo da cidade desde a promulgação de sua lei de segurança nacional. O resultado da eleição servirá de indicador de referência sobre o futuro da região administrativa especial.

Entre o próximo sábado (18) e o dia 31 de julho, os interessados terão duas semanas para registrar suas candidaturas a um mandato de quatro anos no Conselho Legislativo, de 70 membros, composto de 35 representantes de cinco áreas eleitorais geográficas, e outros 35 de setores funcionais, como os serviços de educação, turismo e saúde.

São necessárias pelo menos 36 cadeiras para constituir uma maioria. No momento, o lado pró-establishment tem 40 cadeiras, que os pró-democracia querem arrebatar na eleição marcada para o início de setembro.

Ativistas pró-democracia em campanha durante eleições primárias em Hong Kong - Isaac Lawrence - 12.jul.20/AFP

A vitória arrasadora dos democratas na eleição do Conselho Distrital, em novembro, quando eles conquistaram 87% das cadeiras em organismos administrativos locais, serviu de impulso moral forte para eles.

No fim de semana, durante as primárias para selecionar seus candidatos para a eleição próxima, o campo democrata também assistiu a uma participação recorde de mais de meio milhão de eleitores.

Devido à divisão política profunda entre os dois campos, o Conselho Legislativo vem tendo dificuldade em aprovar leis, mesmo aquelas que não são politicamente delicadas.

A situação se complica mais ainda quando se levam em conta as divisões no interior dos campos pró-establishment e pró-democracia.

O primeiro está dividido entre os que apoiam o projeto de lei de extradição do ano passado e os que não o apoiam. O segundo campo está dividido entre democratas tradicionais e vozes locais jovens.

Mas, como legislatura, cabe ao Conselho Legislativo funcionar. Diante da turbulência política e da pandemia de Covid-19, a eleição que vem por aí será um marco de referência para o território semiautônomo, 23 anos depois de o Reino Unido devolvê-la à China.

A lei de segurança nacional de Hong Kong promulgada pelo Congresso Nacional do Povo chinês no dia 1º de julho impede que candidatos que se oponham às novas regras ou à Lei Básica, a Constituição honconguesa, concorram ou ocupem qualquer cargo público no território.

Depois da última eleição do Conselho Legislativo, em 2016, um total de seis legisladores eleitos dos campos pró-democracia e localista —que defende a independência de Hong Kong— acabou sendo privado de suas cadeiras em função de declarações controversas que eles fizeram em suas cerimônias de posse.

Também houve políticos radicais que perderam o direito de concorrer em eleições de conselhos distritais locais por fazerem oposição à Lei Básica. Assim, desde 2016, todos os políticos precisam primeiro declarar apoio à legislação antes de se tornarem candidatos.

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